Equipe de transição de Obama restringe ajuda de lobistas

WASHINGTON - Assumindo a promessa de campanha de adotar restrições éticas abrangentes, o presidente eleito Barack Obama decidiu restringir a ajuda financeira de lobistas nos custos de sua transição ao poder e que colaborem em áreas na qual tenham representado clientes no passado, afirmou sua equipe de transição na terça-feira.

New York Times |

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Os consultores de Obama indicaram que esperam que as regras se apliquem também para a posse do novo presidente, mas disseram que ainda terão que tomar decisões sobre quem arcará com estes custos.

John D. Podesta, co-presidente da transição de Obama, afirmou que as restrições são as "mais rígidas e abrangentes regras éticas de transição de qualquer equipe na história".

AP

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"Caso alguém tenha agido como lobista nos últimos 12 meses, essa pessoa não poderá trabalhar na área que tentava promover e terá que abandonar qualquer tipo de atividade relacionada a ela durante seu trabalho na transição", disse Podesta, falando aos repórteres durante a primeira reunião da equipe com a imprensa.

Mas as novas regras parecem passíveis de interpretação. Consultores de Obama, que chegou a declarar durante a campanha que "lobistas não encontrarão emprego na minha Casa Branca", disseram que as regras permitem que lobistas trabalhem em áreas que não promoveram anteriormente.

Além disso, as regras se aplicam a lobistas que precisam se registrar no governo federal, mas muitas pessoas que trabalham para empresas de lobby ou em outras áreas de influência em Washington não têm que se registrar porque não fazem lobby pessoalmente com autoridades federais sobre questões específicas.

Podesta disse que espera que a equipe de transição empregue cerca de 450 pessoas e tenha um orçamento de cerca de US$12 milhões. Deste valor, US$5.2 milhões serão pagos pelo governo, com os outros US$6.8 milhões vindo de fontes particulares. As contribuições foram limitadas em US$5,000 e a equipe de transição não aceitará dinheiro de comitês de ação política.

Durante a campanha presidencial na qual arrecadou US$650 milhões, Obama mudou as regras do financiamento, recusando ajuda pública e criando sua própria rede de doadores. Pelo menos alguns destes contribuintes devem voltar a colaborar.

Como candidato, Obama oferecia regras éticas mais detalhadas e onerosas do que qualquer candidato, prometendo impedir seus indicados de trabalhar em questões que envolvessem seus antigos empregadores, proibir as autoridades que deixam o cargo de fazer lobby com membros de sua gestão e exigir que todos os indicados políticos informem publicamente todos os seus encontros com lobistas registrados.

As regras geraram reclamações num momento de imensos desafios, com elas a gestão Obama pode excluir uma gama de talentos ao impedir que as pessoas trabalhem na Casa Branca em áreas que conhecem melhor.

"Eu ouvi as reclamações", disse Podesta, "de que estamos deixando os especialistas de lado, porque estamos excluindo as pessoas que sabem tudo. Que assim seja. Este é um compromisso que o público americano espera e um que esperamos impor durante a transição".

Ainda não está claro como as regras irão afetar a posse. O presidente Bush gerou mais de US$40 milhões para sua segunda posse, principalmente através da contribuição de empresas e executivos.

Ainda que os consultores de Obama digam estar cientes de que uma celebração ostensiva possa não ser bem recebida por causa do cenário econômico, eles indicam que a natureza da posse do novo presidente e as expectativas de comparecimento garantem que a ocasião será grandiosa.

Ainda assim, num sinal precoce de que a comemoração possa ser menor, Obama cancelou os fogos de artifício na noite da eleição no Grant Park em Chicago, dizendo a seus consultores que o momento é muito sério para este tipo de festividade.

"Este será um ato de equilíbrio", disse um consultor de Obama, "mas não tenho certeza de como será feito".

- HELENE COOPER e JEFF ZELENY

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