Enviado de Obama visita um dos mais difíceis aliados dos EUA

ISLAMABAD, Paquistão - Quando o enviado Richard C. Holbrooke chegar aqui na segunda-feira em busca de formas de parar a insurgência islâmica que está desestabilizando o Paquistão, ele encontrará um governo civil pró-americano enfraquecido e um poderoso exército desacostumado e que se nega a lutar contra um inimigo doméstico.

The New York Times |

Em uma nação nuclear vista como aliada dos Estados Unidos e considerada fundamental pela gestão Obama para o fim da guerra no seu vizinho Afeganistão, Holbrooke enfrentará uma onda de sentimento antiamericano em clara exposição por cidadãos, oficiais e cada vez mais programas de televisão.

Algumas soluções oferecidas por seus anfitriões paquistaneses podem não parecer favoráveis. Em quase todos os "fronts", líderes paquistaneses pedem menos envolvimento dos Estados Unidos, ou pelo menos é o que parece.

O principal motivo pelo aumento no ressentimento local é a estratégia que o governo americano considera seu principal sucesso contra a Al-Qaeda: ataques com mísseis coordenados por aeronaves teleguiadas contra militantes nas áreas tribais do Paquistão.

Para a surpresa de muitos paquistaneses, que receberam promessas de seus líderes de que a nova gestão em Washington seria diferente, aeronaves americanas realizaram uma ofensiva em duas áreas tribais apenas três dias depois da posse de Obama. De acordo com os paquistaneses, cerca de 21 civis morreram nos ataques, no norte e sul de Waziristão.

A fúria em relação aos contínuos ataques aéreos é considerada um dos principais motivos da queda na aprovação do presidente Asif Ali Zardari nas pesquisas de opinião pública.

Em um esforço para acalmar o público no sábado, Zardari disse a uma plateia em Peshawar, cidade da província noroeste, que irá argumentar contra os ataques durante a visita de Holbrooke. De acordo com relatos da imprensa estatal paquistanesa, Zardari disse que a ofensiva militar é "contraprodutiva"  e que "não está longe o dia em que estes ataques serão interrompidos".

"Nós diremos a eles que lutar não será a solução para este problema", disse Zardari, "e que deixem que nós lidemos com isso à nossa maneira, pois sabemos melhor do que eles qual a melhor forma de lidar com a questão".

No mínimo, os paquistaneses dizem, eles mostrarão a Holbrooke a necessidade de ajuda militar americana para que lidem com os insurgentes (principalmente com helicópteros e óculos de visão noturna).

- JANE PERLEZ

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