LAHORE, Paquistão - O enviado especial americano, Richard C. Holbrooke, desacelerou sua turnê de discursos políticos pelo Paquistão na quarta-feira com uma breve passagem pelas desregulamentadas áreas tribais, seguida de um jantar com intelectuais liberais em um restaurante localizado em uma cobertura de Lahore.

Ele veio para ouvir, não para falar, foi o que disse Holbrooke. O que ele ouviu foi uma conhecida lista de pedidos por dinheiro e tropas da liderança paquistanesa, bem como uma litania de reclamações sobre os ataques aéreos americanos às áreas tribais.

A viagem de Holbrooke ao Paquistão, e sua passagem de quatro dias pelo Afeganistão, que está marcada para começar nesta quinta-feira, fazem parte de uma revisão total da política americana na região ordenada pelo presidente Barack Obama.

O desafio da nova gestão será persuadir os militares paquistaneses fixados em sua rivalidade com a Índia a reorientar suas tropas para que combatam a insurgência da Al-Qaeda e do Taleban que toma conta do país.

Washington também quer convencer o fracamente organizado e quase falido governo civil, liderado pelo presidente Asif Ali Zardari, que deve apoiar os militares em seus esforços contra insurgentes ao oferecer melhor liderança e desenvolvimento.

Como parte de sua passagem pela capital, Islamabade, Holbrooke se encontrou com Zardari, o chefe militar, general Ashfaq Parvez Kayani e o líder da Inter-Service Inteligência, tenente general Ahmed Shuja Pasha.

Oficiais envolvidos nas conversas afirmaram que Holbrooke foi recebido com total oposição pelos ataques realizados com aviões Predator, que oficiais americanos dizem ajudar a desmantelar a rede da Al-Qaeda.

Os paquistaneses insistem que os ataques mataram civis, voltaram o povo contra os Estados Unidos e representam a infração de sua soberania.

O que a gestão Obama pretende fazer a respeito destas reclamações não ficou claro.

O general aposentado paquistanês, Talat Masood, que participou do jantar em homenagem a Holbrooke na Embaixada Americana na noite de terça-feira, disse que teve a impressão que pode haver algum esforço por parte dos americanos para que os ataques não sejam mal recebidos fazendo com que se tornem uma operação conjunta.

O ministro do exterior, Shah Mahmood Qureshi, qualificou os ataques de "improdutivos" e disse que o Paquistão e os Estados Unidos formarão uma equipe conjunta de oficiais que irão rever as diferenças políticas, inclusive em relação aos ataques com mísseis.

-  JANE PERLEZ

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