Enquanto a eleição se aproxima, uma voz negra entra na disputa da comédia

NOVA YORK ¿ O âncora é um homem pomposo e falador, que chama seu programa de ¿única fonte pura, realmente incircuncisa da perspectiva afrocêntrica¿. David Alan Grier, que interpreta o personagem do ¿Chocolate News¿ (Notícias de chocolate), no novo quadro de comédia que começa nesta quarta, no canal Comedy Central, chama-o de emprego dos sonhos.

The New York Times |

Chocolate News pega emprestado o modelo de falso noticiário dos programas mais bem-sucedidos do Comedy Central, The Daily Show With Jon Stewart e The Colbert Report, mas usa o conceito para preencher o vazio da comédia política direcionada ao tema negro. A primeira temporada desse programa, também criado por Grier, ator e comediante, alfineta rappers, Maya Angelou, membros de gangues de rua e fraude eleitoral.

Essa é a chance perfeita, Grier disse durante uma entrevista nesta segunda, no Hotel Bowery, que fica na Lower East Side. Eu queria algo no qual eu pudesse ter clareza e voz mais artística e criativa. Eu tenho feito coisas no estilo sitcom (comédia de situação) para diminuir cada vez mais os degraus do sucesso.

A hora não poderia ser melhor para Grier, 52, famoso por personagens como Antoine, um crítico de cinema gay, e Loomis Simmons, âncora deformado de um infomercial, em In Living Color, um programa de comédia na Fox que foi ao ar de 1990 até 1994 e fez estrelas como Keenen Ivory Wayans e seus irmãos Shawn, Damon e Marlon, e também Jamie Foxx e Jim Carrey.

Os altos índices de audiência nesta temporada para programas como Saturday Night Live demonstram que a histórica eleição presidencial estimula o apetite público por comédias e sátiras políticas. Desde que Dave Chappelle deixou de forma abrupta e barulhenta o popular Chappeles Show em 2005, o Comedy Central não tem um âncora negro de uma série original com quadros de comédia em uma época em que raça e políticas raciais estão à frente e no centro de tudo.

Ele teve, por um tempo, um ponto de vista meio perdido em relação à emissora, disse Lauren Corrao, presidente de programação original e desenvolvimento do Comedy Central. É uma perspectiva um pouco urbana.

Fax Bahr, produtor-executivo do Chocolate News que conhece Grier desde que eram estudantes da Universidade de Michigan, disse que não foi difícil para a Comedy Central mudar a data de estréia do programa de 2009 para outubro de 2008, uma vez que o senador Barack Obama surgiu nas pesquisas.

Eu não acho que há muita comédia negra lá fora que seja política, disse Bahr, criador do MadTV juntamente com Adam Small, que também é produtor-executivo do Chocolate News. Em certo ponto, Jon Stewart não teve que dizer que não há problema em rir de Obama?, afirmou Bahr, referindo-se à dificuldade de alguns comediantes brancos em satirizar pessoas negras ou a cultura negra por medo de serem intitulados de insensíveis ou algo pior.

Embora o Chocolate News não seja majoritariamente sobre Obama ou política, ele aparece nos primeiros episódios. Em um quadro, uma urna de votação estranhamente burlada responde Sério? ou Você sabe que ele é muçulmano para um possível eleitor de Obama, mantendo as respostas negativas até que a urna registra um voto para o senador John McCain.

Grier, graduado na Escola de Teatro de Yale, que interpretou tanto Shakespeare como Dreamgirls no palco, disse que queria criar um programa que fugia do tom sério de noticiários de negros apresentado por Tavis Smiley, Tony Brown e Gil Noble. Descobrimos que se estivéssemos sendo verdadeiros com o ambiente desse programa, teríamos que virar a favor dos negros, Grier disse. Quando tomamos essa posição, após criar circunstâncias tão obscenas e obtusas, isso alimenta a comédia.

Por exemplo, negros torcem pela metade negra em um par de gêmeos siameses interraciais que estão morrendo. E um rapper negro obsceno grita racismo após seu anúncio semi-pornográfico de serviço público para crianças ser considerado inapropriado.

Embora o aparente benefício do bom timing , o desenvolvimento do programa levou mais de dois anos brutais, disse Grier. Além da comum procura por idéias, segundo ele, o Comedy Central estava nervoso após a experiência com Chapelle, que foi embora na terceira temporada de seu famoso seriado. Chappelle negou rumores de que usava drogas e teve transtorno nervoso, mas disse que estava estressado e ficou incomodado com o show, porque temia que seu humor fosse mal-entendido como uma humilhação aos negros.

É um caminho muito delicado para seguir, afirmou Grier. Você está rindo comigo porque você entende a piada ou eu estou te dando a permissão de rir de mim de uma forma desumana e depreciativa?

Ele continuou: Uma coisa é pôr um vestido e interpretar uma mulher negra ousada, o que é um arquétipo negativo de mulheres afro-americanas. Agora, é outra coisa comentar apenas sobre esse fenômeno, que é o que fazemos na história da mulher negra e gorda. Houve uma mutação genética, que começou com Hattie McDaniel e E o Vento Levou, de que a única forma de o homem negro ser ouvido é se vestindo como uma mulher negra muito gorda.

Por FELICIA R. LEE

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