Engenheiro que vivia nos EUA enfrenta prisão e limbo ao voltar à China

Hu Zhicheng tentou voltar a Los Angeles, onde vive sua família, mas foi impedido, pois, segundo autoridades, é um homem procurado

The New York Times |

Após duas décadas de trabalho como um engenheiro de sucesso nos Estados Unidos, Hu Zhicheng decidiu voltar para a China em 2004 e aplicar a sua rica experiência para projetar conversores catalíticos na expansiva indústria automotiva do país. Agora parece que ele não pode sair.

Leia também: Artista chinês é investigado por pornografia

NYT
Hu Zhicheng, engenheiro naturalizado americano, em foto tirada em 8 de novembro

Nas últimos três vezes em que ele tentou embarcar em um avião e voltar para a sua família em Los Angeles, Hu, 49, foi recusado por agentes de fronteira chineses, que alegaram que ele era um homem procurado.

O problema é que ele não consegue descobrir exatamente pelo quê.

Hu, um inventor formado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts com 48 patentes e uma série de prêmios de prestígio da ciência, foi preso por um ano e meio desde 2008 depois que um ex-sócio o acusou de roubo comercial.

As acusações eram tão estranhas que os promotores recusaram o caso - um gesto raro no sistema chinês.

Mas, desde a sua libertação 19 meses atrás, a vida de Hu permanece em um limbo deixando sua família cada vez mais frenética.

Ele escreve constantemente para poderosos oficiais do Partido Comunista que imagina que têm poder de controlar o seu destino. Um círculo de amigos e colegas influentes tem feito lobby em seu nome.

Richard Buangan, porta-voz da Embaixada dos Estados Unidos em Pequim, disse que diplomatas americanos tiveram pouco sucesso em pressionar seu caso com as autoridades chinesas. "Nenhuma autoridade tem cooperado com o nosso pedido de informações sobre o controle de sua saída", disse.

A situação de Hu destaca os perigos potenciais de se fazer negócios na China, onde as disputas comerciais podem facilmente se tornar uma questão penal, especialmente quando os politicamente bem relacionados usam o maleável sistema legal do país para perseguir rivais.

Mesmo à medida que políticas oficiais procuram atrair chineses inventores, acadêmicos e empresários, com vantagens como moradia e incentivos financeiros, um persistente sentimento anti-ocidental os contamina como antipatrióticos por terem deixado sua terra natal.

"É uma espécie de racismo às avessas", disse John Kamm, diretor-executivo da Dui Hua, um grupo de direitos humanos americano. "Se você é de etnia chinesa, com um passaporte estrangeiro, você não é realmente considerado um estrangeiro."

No início desse mês, em uma conferência de engenharia química na periferia de Pequim, Hu deu uma palestra sobre formas de reduzir as emissões dos veículos pesados na China.

Quando a conferência terminou e seus colegas dos Estados Unidos se dirigiram para o aeroporto, ele fez uma piada sobre escapar pela fronteira. "Se eu pudesse inventar algo que me fizesse invisível", disse.

Por Andrew Jacobs

    Leia tudo sobre: chinaeuaciênciaengenheirofronteira

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG