Energia verde toma conta de deserto chinês

DUNHUANG - Enquanto os Estados Unidos dão seus primeiros passos para obrigar companhias energéticas a gerarem eletricidade de maneira mais eficiente e a partir de fontes renováveis, a China já tem uma exigência parecida e investe bilhões para se tornar uma superpotência verde.

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Lago da Lua Crescente, construída em um vale de dunas de areia no Deserto Gobi

Através de uma combinação de atrativos, Pequim começa a mudar a forma como este país gera energia. Apesar do carvão continuar a ser a maior fonte de energia local, o aumento na energia renovável, especialmente a eólica, está ajudando a diminuir o alto índice das emissões de gases causadores do efeito estufa pela China.

Enquanto a Câmara dos Representantes americana aprovava, na semana passada, uma exigência para que suas fábricas gerem mais energia a partir de fontes renováveis de energia e o Senado pensa em considerar propostas similares, a China já impôs tal regra há quase dois anos.

Agora a China está a caminho de sobrepujar os Estados Unidos como o maior país fabricante de turbinas de vento. Companhias energéticas estatais concorrem para ver qual poderá construir painéis solares mais rapidamente, apesar destes projetos serem muito menores do que os que utilizam o vento. Outros projetos ecológicos, como a queima de resíduos agrícolas para gerar energia, se espalham por todo o país.

Esta cidade oásis no meio do Deserto Gobi se tornou o centro do esforço da China em liderar o mundo na obtenção de energia através do vento e da luz solar. Uma série de propostas está em andamento perto de Dunhuang, inclusive um de seis imensos projetos de energia eólica que estão sendo construídos em toda a China, cada um com capacidade para mais de 16 grandes usinas de carvão.

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Turbina de vento cortante é colocada no solo enquanto trabalhadores constroem a torre

Cada um dos seis projetos "faz com que qualquer outro em qualquer lugar do mundo pareça muito menor", disse Steve Sawyer, secretário geral do Conselho de Energia Eólica Global, um grupo do setor baseado em Bruxelas.

O grande estímulo do programa de energia chinês foi a exigência do governo, emitida em setembro de 2007, de que grandes companhias energéticas gerem pelo menos 3% de sua eletricidade de fontes renováveis até o final de 2010. O cálculo exclui a energia hidrelétrica, que representa 21% do suprimento chinês, e a nuclear, 1,1%.

O banco HSBC prevê que a China irá investir mais dinheiro em fontes renováveis e energia nuclear entre agora e 2020 do que em eletricidade alimentada pelo carvão ou óleo.

Isso não significa que a China irá se transformar em um país ecológico gigante da noite para o dia. Mesmo porque, o poder de consumo deve aumentar constantemente na próxima década conforme a população rural chinesa comece a adquirir eletrodomésticos que consomem muita energia e são comuns entre os moradores das regiões urbanas.



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