Encontro de líderes chineses apresenta resultados ambíguos

PEQUIM ¿ A elite do Partido Comunista da China usou sua sessão estratégica de quatro dias para atacar ¿graves problemas¿ que ameaçam a posição política partidária, desde a corrupção até a desigualdade escancarada entre ricos e pobres do país e a falta de democracia dentro de suas categorias internas.

The New York Times |

Mas, apesar do direcionamento anticorrupção que forçaria as autoridades e suas famílias a expor suas propriedades e investimentos, os relatórios iniciais do encontro da semana passada sugeriram que: ou os membros do Comitê Central ficaram relutantes em fazer grandes mudanças ou discordaram sobre as mudanças que deveriam ser feitas.

Comunicados da mídia estatal, divulgados na sexta-feira e no sábado, após o fim da reunião do Comitê Central e do subcomitê, declararam que esta pouco se diferiu de outras sessões políticas quanto às necessidades de democracia no partido, que foi colocada como tema principal da reunião.

Nem o ato de nomeação do Comitê Central, como muitos esperavam, apontou o vice-presidente Xi Jinping a um posto militar chave, um ato que  faria tudo, menos garantir a ascensão de Xi a secretário-geral do Partido Comunista em 2012, quando o presidente Hu Jintao deve deixar o cargo.

Um tema majoritário da sessão plenária enfatizou uma posição partidária já bem conhecida, a necessidade de reprimir separatistas para manter a China unificada e as relações entre grupos étnicos harmoniosas.

Xi ainda poderia ganhar sua nomeação para vice-presidente da Comissão Militar Central em uma data mais adiante. E o encontro do Comitê Central poderia se revelar mais produtivo do que agora parece, quando divulgarem um relatório completo das deliberações na sessão fechada do partido, o que deve acontecer logo.

É difícil saber o que houve ¿ se algo engraçado aconteceu durante a sessão, como foi, ou se grandes esperanças foram destruídas, ou se era tudo retórica, disse Russel Leigh Moses, analista das políticas do Partido Comunista, em Pequim. Mas parece que manter a estabilidade dentro do partido gera esforços conjuntos para resolver esses problemas complicados.

De acordo com Moses, uma explicação provável é que os governantes do partido concordaram que há necessidade de mudança, mas, como em muitos sistemas políticos defensivos, discordaram na forma como executá-la.

O comunicado da sessão plenária apresentou poucas palavras sobre a natureza dos desafios para o controle contínuo do Partido Comunista sobre a China, dizendo que enfrenta contínuas provas difíceis e rigorosas em uma época de mudanças desordenadas. Os problemas internos estão despertando seriamente a criatividade, unidade e eficácia do partido em lidar com esses problemas, disse o relato.

De acordo com o comunicado, a corrupção tem prejudicado gravemente os fortes vínculos do partido com as pessoas, e afetado seriamente a integridade do status de governante do partido. A corrupção é abundante, particularmente nos governos de nível local, e está nas raízes de muitos dos diversos protestos que ocorrem em cidades chinesas a cada ano. O partido deveria obrigar a exposição das posses dos oficiais, sem disfarces. É um grande passo, disse David Shambaugh, analista de longa data da elite do Partido Comunista da Universidade de George Washington, em uma entrevista por telefone. Mas a eficácia de uma reforma como essa dependeria da extensão da revelação e do nível do governo em questão.

A corrupção local é um assunto majoritário entre os cidadãos comuns, mas se reconhece que as comissões e o favoritismo têm se espalhado amplamente nos altos níveis do governo, onde a recompensa pode ser muito maior e a repressão muito mais difícil.

Mas o funcionamento burocrático interno do partido igualmente precisa de uma reforma, anunciou o relato. É necessário reconhecer implicitamente os problemas que oficiais de níveis mais baixos enfrentam ao vender ideias inovadoras aos seus superiores e a forma encoberta como os líderes são escolhidos.

O comunicado da sessão pediu que a escolha dos líderes tenha mais base em méritos e que haja novas formas de dar voz aos cargos mais baixos nos conselhos superiores do partido.

Mas forneceu poucos detalhes de como isso seria feito. Por muito tempo, a China manteve eleições competitivas para alguns cargos em certas vilas, o nível mais baixo de governo, com o que alguns acadêmicos chamam de resultados mistos.

Por MICHAEL WINES


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