Empresas estrangeiras se preparam para receber estímulo financeiro

TÓQUIO - O que faz com que um produto seja americano?

The New York Times |

Na semana passada a Câmara dos Representantes votou pela exigência de que projetos financiados pelo pacote de estímulo de US$819 bilhões usem aço e ferro unicamente americanos.

O Senado, no entanto, concordou na noite de quarta-feira em diluir algumas das provisões apelidadas de "Compre América" em sua versão do projeto de estímulo financeiro de US$900 bilhões para garantir que a provisão não viole nenhum acordo de comércio internacional.

Mas grande parte do material necessário para reformar a infraestrutura ou desenvolver formas alternativas de energia no país é produzido por companhas estrangeiras em fábricas americanas e muitas delas planejam aumentar sua produção nos Estados Unidos.

Apesar do aumento no debate sobre os perigos do protecionismo comercial, muitas companhias estrangeiras se preparam para receber parte do pacote de estímulo. Algumas estão contratando funcionários nos Estados Unidos. Outras (do Japão, Alemanha, França e Coreia do Sul) estão construindo fábricas americanas para a produção de células solares, baterias de litio, turbinas e trens subterrâneos.

Em uma entrevistas à televisão na terça-feira, o presidente Barack Obama deu sinais de que tentará revogar as restrições "Compre América" que cobririam projetos como aeroportos, barragens, ferrovias e sistemas de transporte coletivo. Uma grande preocupação, segundo o presidente, será evitar o surgimento de conflitos com grandes parceiros comerciais que poderiam levar a uma guerra comercial.

John Bruton, embaixador americano na Comissão Europeia, enviou cartas à secretária de Estado, Hillary Rodham Clinton, e ao secretário do Tesouro, Timothy F. Geithner, alertando que a provisão "não faz sentido econômico" e pode causar "medidas retaliatórias". Syed Kamall, porta-voz do Partido Conservador no Parlamento Europeu, alertou que a provisão pode levar a Europa e os Estados Unidos à criação de uma "nova cortina de ferro econômica".

Executivos do setor e oficiais governamentais do Japão afirmaram que a construção de fábricas nos Estados Unidos se tornará uma estratégia comercial comum para as companhias japonesas, tanto para aproximar a produção dos consumidores quanto para evitar conflitos comerciais.

Estratégia de antecipação

A indústria automobilística japonesa seguiu uma estratégia similar nos anos 1980. Mesmo antes do surgimento da ameaça de protecionismo americano, muitas companhias estrangeiras tinham decidido aumentar sua presença no país depois da eleição de Obama em novembro.

Como parte de sua campanha de lobby para conquistar novos negócios, companhias estrangeiras alardeiam como seu trabalho irá ajudar as perspectivas econômicas americanas em um momento de maior competição com países como a China.

Por MARTIN FACKLER e JAMES KANTER

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