Empresas buscam formatos mais ecológicos para o marketing direto

A maioria dos publicitários concorda: se livrar da mala direta (ou do lixo direto, como preferem os ambientalistas e a maioria dos destinatários) salvaria muitas árvores. Mas eles ainda não pretendem tornar a propaganda por correio em algo obsoleto.

The New York Times |

"O retorno do investimento permanece muito alto", disse Jeffrey Horton, supervisor de marketing da Kawasaki Motors.

Por isso um grupo de companhias de marketing direto, juntamente com seus clientes corporativos, se uniram para tornar essa prática insustentável um pouco mais ecológica.

O grupo se auto-intitula Coalizão do Marketing Verde e inclui empresas como Microsoft, Washington Mutual e OptimaHealth. Nem todas as companhias envolvidas fazem grande uso da mala-direta, mas compartilham o sentimento de que deve haver regras melhores para o uso do marketing direto, que é visto como um vilão muito antes do aquecimento global chegar às manchetes.

"Esse setor simplesmente não tem nenhum parâmetro ecológico", disse Spyro Kourtis, presidente do Hacker Group, a companhia de marketing direto de Seattle que lidera a Coalizão do Marketing Verde. "Por isso pensamos que é preciso estabelecer algumas regras para as empresas e nossos clientes".

Até então as regras da coalizão são cheias de promessas e poucas idéias reais sobre como melhorar o setor. Elas incluem o uso de papel sem colorantes, testes em computador e não em cópias físicas e a adoção de iniciativas mais ecológicas para que as companhias possam usufruir de benefícios fiscais.

As regras sugerem a adesão aos padrões de reciclagem e escolher clientes que se comprometam com a prática. Também há apoio à "limpeza de listas" (ou seja, retirar das malas-diretas os nomes de pessoas que já morreram e outras que não mostram sinais de interesse).

"Ao melhorar a lista de destinatários e os dados mantidos pelas empresas é possível almejar melhor e diminuir drasticamente a quantidade de lixo", aconselha a coalizão.

O Serviço Postal dos Estados Unidos também participa da iniciativa. O órgão registrou o termo "eCORREIOlógico" para se referir aos propagandistas que tentam fazer do marketing direto uma prática mais verde.

Em seu site (logo depois de mostrar que cada dólar gasto em marketing direto retorna quase US$12 em vendas) o Serviço Postal agora lista dicas ecológicas para os envio de mala-direta, como facilitar a saída de pessoas das listas, usar tintas a base de água e materiais reciclados, além de encorajar os destinatários a reciclar o panfleto depois de usá-lo.

Em maio, o Serviço Postal enviou (em papel reciclado, é claro) dicas gerais sobre como tornar a mala-direta mais ecológica à cerca de 100 mil companhias. Aqueles que enviaram o cartão de volta pedindo mais informações receberão uma camiseta de algodão orgânico e um livro com explicações detalhadas sobre as práticas mais ecológicas.

O Serviço Postal também enviou um kit à imprensa em busca de atenção para sua iniciativa ecológica. "Apesar da mala-direta representar apenas 2.4% do lixo gerado pelos humanos, muitas oportunidades existem para diminuir ainda mais seu impacto ambiental", diz a declaração do órgão à imprensa.

Tanto os correios quanto a coalizão deixaram a desejar na criação de objetivos concretos. As regras da coalizão não especificam qualquer objetivo ou datas para que sejam alcançados.

"Não queremos assustar as companhias que queiram participar e elas temeriam regras muito exigentes", disse Daniel Lenhart, supervisor da Kawasaki Motors, membro-fundador da coalizão.

- Claudia H. Deutsch

    Leia tudo sobre: ecologiamarketing direto

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG