Embaixador dos EUA deixa Iraque sem missão cumprida

Christopher Hill sai do cargo em meio à retirada americana, mas sem completar uma tarefa: formar novo governo iraquiano

The New York Times |

Christopher R. Hill, embaixador no Iraque responsável pela reformulação do papel americano no país, encerrou seu mandato de 16 meses nesta quinta-feira, deixando para trás uma nação ansiosa e inquieta com uma retirada militar em andamento e uma tarefa fundamental por cumprir: a formação do governo que vai herdar o controle do país.

Hill havia adiado sua aposentadoria como diplomata em uma última tentativa de chegar a um acordo para acabar com cinco meses de um impasse perigoso que levou a um debate sobre o ritmo da retirada americana.

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Christopher Hill é visto na embaixada americana em Bagdá, no Iraque

Horas antes de sua partida de Bagdá, ele disse que um acordo de compartilhamento de poder entre os principais vencedores das eleições de março está a apenas algumas semanas de distância.

A previsão foi o final amargo de uma carreira de 33 anos para Hill, cuja falta de experiência no Oriente Médio fez dele uma escolha surpreendente para preencher um dos postos mais importantes dos Estados Unidos no exterior.

Muitas vezes ele rejeitou as críticas de que o impasse refletia sua própria ineficácia ou o declínio da influência americana no país, mesmo ao reconhecer que a formação do governo ainda era “uma proposta muito difícil”. “Eu acho que o processo vai para frente e conforme me preparo para partir eu vejo, francamente, perspectivas de que vamos ver um novo governo em poucas semanas”, disse ele.

Alguns oficiais iraquianos permanecem pessimistas, até porque o acordo de compartilhamento do poder efetivamente deixaria de lado seguidores de um poderoso clérigo populista, Muqtada Al-Sadr, bem como uma parte influente de xiitas com laços com o Irã, o Conselho Supremo Islâmico do Iraque.

E ainda que não se acredite que o Irã irá se opor ao retorno do primeiro-ministro Nouri al-Maliki ao poder, o país vê com profunda desconfiança Ayad Allawi, o ministro interino do ex-premiê e político xiita secular, cuja coligação eleitoral obteve uma vitória estreita sobre Al-Maliki na votação parlamentar.

Sob o acordo, segundo políticos iraquianos, Allawi lideraria um conselho de segurança nacional, cujas decisões seriam obrigatórias para o governo.

A indicação de Hill, 58, foi inesperada e até mesmo alguns de seus colegas questionaram se ele era o diplomata certo na hora errada. Seu antecessor, Ryan C. Crocker, falava árabe e era veterano no Oriente Médio; Hill não era.

As divergências sobre a posse de Hill revelavam um debate muito mais amplo sobre a retirada do Iraque e o envolvimento do governo americano no futuro de um país que já não é ocupado, mas que tampouco é independente.

A influência americana caiu aqui durante o seu mandato, talvez naturalmente. Mas alguns temem que sua falta de engajamento, amplamente percebida aqui, tenha adiado a formação de um governo em um momento em que seu povo se queixava do colapso da infraestrutura e da escassez de eletricidade e água.

Na semana passada, o Senado confirmou James F. Jeffrey, a escolha do presidente Barack Obama para suceder Hill no Iraque. Jeffrey era embaixador na Turquia desde novembro de 2008.

Seus cargos anteriores incluem o de assessor especial do secretário de Estado para o Iraque, em Washington, e chefe da missão e do encarregado de negócios em Bagdá.

Por Anthony Shadid

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