Em Waikiki, uma luta entre ambientalistas e o setor de turismo

Em meio a brigas sobre investimentos em hotéis ou condomínios, ativistas alertam para descaracterização da praia no Havaí

The New York Times |

Na imaginação do público, a praia de Waikiki, no Havaí, é formada por areia, coqueiros e canoas. Mas depois que o Havaí se tornou um Estado, em 1959, hotéis altos como o Rainbow Tower, o Hilton Hawaiian Village e o Sheraton Waikiki começaram a esconder a praia mais famosa de Honolulu atrás de um paredão de prédios.

Em 1976, o Conselho da Cidade de Honolulu criou o Distrito Especial de Waikiki, impondo requisitos de densidade, altura e recuo para novas construções. O principal requisito é proporção 1:1 entre altura e recuo, o que significa que um prédio deve ser tão alto quanto a profundidade do espaço aberto diante dele.

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O Moana Surfrider (C) e o Hyatt (D) estão entre os principais hotéis de Waikiki, em Honolulu, Havaí
Mas agora a rede Kyo-ya, que possui grandes áreas de Waikiki, está propondo uma reforma de US$ 700 milhões em seus hotéis Princess Kaiulani e Moana Surfrider.

O plano deverá incluir a substituição de uma asa de oito andares do Moana Surfrider por um hotel e um condomínio de 26 andares – com 90 metros, mais do que o dobro da altura permitida pelas regras de 1976. Em agosto, a Câmara Municipal aprovou o plano de construção de US$ 150 milhões, que agora precisa de uma variação do Departamento de Planejamento e Licenciamento.

Se a Kyo-ya conseguir as aprovações necessárias, a construção da torre poderia começar em 2012, disse o presidente da empresa, Greg Dickhens. Mas grupos ambientalistas podem recorrer da decisão.

A posição da Kyo-ya é clara. “Se Waikiki quiser manter a sua importância como um destino turístico de liderança em mundial é preciso reinvestir nos nossos hotéis”, disse Dickhens.

Críticos

Mas críticos apontam que a construção, dedicada principalmente aos condomínios, irá conter menos quartos de hotel do que aquela que será substituída. De acordo com Dickhens, quartos de hotel em Waikiki custam cerca de US$ 600 mil para serem construídos, ou seja, a empresa teria de cobrar US$ 600 a diária para conseguir lucro. A Kyo-ya se comprometeu a incluir pelo menos 60 quartos de hotel no novo prédio.

Seja qual for a mistura final entre condomínio e quartos de hotel, os críticos dizem que o edifício vai dominar uma praia que já está perdendo de 30 a 60 centímetros por ano para a erosão.

Donna Wong, diretora do grupo ambientalista Hawaii’s Thousand Friends, disse que o prédio iria criar um "efeito de parede sólida" ao longo da costa, que segundo ela "é exatamente contra o que legislação de 34 anos tenta evitar”. Ela acrescentou: “Nós achamos impossível entender por que os nossos oficiais eleitos e planejadores do governo não estão trabalhando para evitar uma invasão da praia de Waikiki, em vez de apoiar esta proposta”.

*Por Fred A. Bernstein

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