Em uma escolha surpreendente, Panetta é apontado para ser chefe da CIA

WASHINGTON ¿ Leon E. Pannetta, ex-congressista e chefe de gabinete da Casa Branca foi selecionado pelo presidente eleito Barack Obama para comandar a CIA. A escolha revelada nesta segunda-feira, 5, por oficiais democratas, mostrou divisões no partido o que ficou claro quando dois legisladores sênior questionaram porque Obama nomearia um candidato com experiência limitada em questões de inteligência.

The New York Times |

AP
Panetta pode ser próximo chefe da CIA


O cargo era o último, entre os mais importantes, a ser preenchido por Obama, que criticou a agência por usar métodos de interrogação caracterizados por ele como tortura.

Oficiais democratas disseram que Obama escolheu Panetta por suas habilidades administrativas, sua posição bipartidária, sua política externa e experiência com orçamentos adquirida durante a presidência de Bill Clinton. Panetta, 70, também é um crítico ferrenho das práticas de interrogatório usadas pela agência. Alguns democratas expressaram grande apoio na escolha.

Harry Reid de Nevada, líder principal do Senado, descreveu-o como um dos melhores servidores públicos com quem já trabalhei e lidei desde que ele deixou a Casa Branca.

Mas o escolhido foi considerado uma nomeação surpreendente e pouco comum para comandar a CIA, uma agência que notoriamente não é nada receptiva a diretores previamente vistos como estranhos.

As informações sobre a decisão foram divulgadas por oficiais democratas que insistiram em se manter anônimos, e nem Obama ou sua equipe de transição comentou sobre o assunto publicamente.

Discordâncias

Entre os legisladores que expressaram ceticismo em relação à escolha está a senadora Dianne Feinstein da Califórnia, nova chefe do Comitê de Inteligência do Senado. Feinstein, que iria fiscalizar qualquer confirmação sobre Panetta, emitiu a opinião que sinalizou uma clara desaprovação e disse que ela não foi avisada da escolha.

Minha posição consistentemente é que eu acredito que a agência seria mais bem comandada por um profissional de inteligência no cargo, no momento atual, disse ela.

O segundo principal democrata, senador John D. Rockefeller IV de West Virgínia, direto do Comitê de Inteligência em fim de mandato, compartilha das preocupações de Feinstein, dizem apoiadores do Congresso Democrata.

O senador Christopher S. Bond de Missouri, republicano contraparte da senadora no Comitê de Inteligência, disse que irá observar rigorosamente a habilidade e qualificações de inteligência de Panetta.

Não ficou claro se o ceticismo se tornaria um obstáculo para a nomeação de Panetta, que pode ser o sucessor de Michael V. Hayden, general aposentado da Força Aérea com décadas de experiência em inteligência.

Apoiadores

O senador Ron Wyden, democrata de Oregon que é membro do comitê de inteligência, chamou Panetta de uma escolha vigorosa que tem habilidade para liderar em uma nova era de responsabilidades na agência de inteligência mais importante do país.

A escolha por Panetta veio apenas duas semanas depois que Obama encerrou as mudanças no corpo de funcionários. Esse fato aparenta refletir a dificuldade que Obama encontrou em achar um candidato capaz de comandar a problemática agência, mas não corrompida pelas ligações com o programa de interrogatório e detenção realizado pela CIA sob a presidência de Bush.

Apoiadores estão dizendo que Obama originalmente pretendia selecionar um chefe para a CIA com experiência de campo, especialmente no combate às redes terroristas. Mas sua primeira escolha para o cargo, John O. Brennan, teve que recusá-lo em meio às críticas quanto ao seu suposto papel na formação do programa de detenção e interrogação da CIA depois dos ataques de 11 de setembro.

Como chefe de gabinete do presidente Clinton por dois anos e meio, Panetta tomou conta regularmente de instruções diárias de inteligência no Salão Oval, e ele tem uma reputação em Washington de um hábil gerenciador e domínio como corretor com uma grande bagagem em assuntos orçamentários.

A importância do cargo

Na revelação da escolha, oficiais democratas disseram que sua atração e ligações com Obama dariam à CIA uma voz poderosa junto à administração, particularmente nas operações burocráticas com o Pentágono, que tem um orçamento muito maior e exigências mais burocráticas.

Se confirmado pelo Senado, Panetta teria o controle da agência mais responsável diretamente por caçar líderes da Al-Qaeda pelo mundo. Ele também seria o diretor mais velho na história da agência, como também o segundo político e ex-legislador a tomar conta dela nos últimos anos. Porter J. Gross, ex-congressista da Flórida, comandou a CIA entre 2004 e 2006, embora Goss fosse um ex-agente da CIA e chefe de longa data da Casa do comitê de inteligência.

Entre os estranhos que agiram em tempos problemáticos no passado após tomar posse como diretor da CIA está Stansfield M. Turner, almirante da Marinha selecionado pelo presidente Jimmy Carter, e John M. Deutch, físico e ex-vice-secretário da Defesa que foi escolhido por Clinton.

Chefes do passado

Deutch, professor do Instituto de tecnologia de Massachusetts disse que deve haver boas razões para Obama ter selecionado um veterano da CIA para liderar a agência. Mas Deutch também citou os exemplos de John McCone na administração de Kennedy e George Bush na administração de Nixon como casos em que estranhos se tornaram dois dos mais bem-sucedidos diretores da agência.

Deutch disse que Panetta e Dennis Blair, almirante aposentado que foi selecionado por Obama para ser diretor da inteligência nacional, formam uma equipe absolutamente brilhante. Ele chamou Panetta de gerente de governo talentoso e experiente e amplamente respeitado pelo Congresso.

Um teste prévio para Panetta tomar a posse da CIA seria determinar o futuro do programa de detenção e interrogação da agência. Aqueles que apoiam a tortura devem acreditar que nós podemos abusar de presos em algumas circunstâncias e ainda assim sermos verdadeiros com nossos valores, escreveu ele no Washington Monthly no começo deste ano. Mas isso é um compromisso falso. Ele também escreveu: Não podemos e não devemos usar a tortura sob quaisquer circunstâncias. Somos melhores que isso.

Por MARK MAZZETTI e CARL HULSE

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