Em um tenso debate, Hillary e Obama trocam duros ataques

Filadélfia ¿ O senador Barack Obama ficou na defensiva durante o debate repleto de tensões da última quarta-feira, na medida em que Hillary Clinton questionava e criticava seus valores e patriotismo a sua associação com os radicais dos anos 60.

The New York Times |

Foi a primeira vez em sete semanas que os dois rivais voltaram a dividir o mesmo palco de debate, evento que antecede em seis dias as primárias na Pensilvânia, cuja votação pode ser crucial para determinar a permanência de Hillary na corrida pela indicação democrata. O encontro na Pensilvânia pode ter sido o último debate entre os pré-candidatos.

Como era de se esperar, Hillary não deixou escapar uma única oportunidade e repetidamente questionou o histórico político e as aspirações de Barack Obama.

Como resultado, Obama protagonizou um dos desempenhos frágeis de toda a sua campanha. Por vezes, o senador se mostrava incomodado, à medida que respondia questões sobre seu pastor religioso, Jeremiah Wright, sua decisão de não usar um broche de bandeira na lapela e sua associação em Chicago com ex-membros do Weather Underground, grupo radical que realizou explosões nos anos 60, com intenção de causar a queda do governo.

As implicações políticas de seu desempenho permanecem incertas. Pesquisas de opinião, como a do The Washington Post, relembram a posição de Hillary, e partir para o ataque oferece atualmente mais riscos à ex-primeira dama: ela é vista de maneira desfavorável pela maioria dos eleitores. Hillary deve vencer com uma ampla margem de vantagem nas prévias da Pensilvânia se pretende continuar com sua candidatura e acabar com o apelo de Obama também entre o eleitorado branco e entre indecisos.

Mas os ataques de Hillary contra Obama e sua elegibilidade não foram somente para os eleitores do Estado, mas também para os chamados superdelegados ¿ oficiais eleitos e líderes de partido ¿ cujos votos podem determinar a indicação do candidato para as eleições gerais. Isso foi particularmente evidente quando Hillary deixou Obama em uma situação constrangedora, lembrando as declarações do senador sobre o apego de americanos pobres à religião e às armas em tempos de crise.

Obama disse que cometeu um erro e que entende que muitos eleitores se sintam ofendidos com tais afirmações. No entanto, o senador acusou sua rival de tentar utilizar suas palavras para vantagens eleitorais, de forma a difundir ainda mais cinismo em relação à política.

Durante boa parte do debate, Hillary parecia calma e sob controle, especialmente quando a discussão focou assuntos específicos sobre como os dois candidatos responderiam a um ataque do Irã contra Israel ou ainda como não elevariam os impostos caso assumissem a presidência dos EUA.

-Adam Nagourney e Jeff Zeleny

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