Em Uganda, poucos têm acesso a vídeo 'Kony 2012'

Viral mais acessado da história é campanha de ONG americana para capturar líder guerrilheiro ugandense Joseph Kony

The New York Times |

Joseph Kony, o inimigo público número 1 da Uganda, vem se tornando uma sensação na internet. Mas em seu próprio país, pouco ou nada se sabe sobre o explosivo vídeo on-line .

O acesso limitado à internet é um dos motivos para isso. Apenas 10% dos ugandeses usam a internet e seu tráfego é retardado por blecautes rotineiros e manutenção precária. Muitos jovens moradores da capital são habilidosos no computador, mas mesmo para eles o download de um vídeo de 30 minutos como aquele divulgado pela instituição Invisible Children, de San Diego, poderia ser uma tentativa frustrante.

Veja o vídeo da ONG Invisible Children sobre Joseph Kony:

"Está lá, eu vi isso no meu mural [no Facebook], mas eu não tive tempo", disse Adam Seif, 23 anos, estudante de administração da Universidade Kampala Internacional, sobre o Kony 2012, vídeo que teve mais de 110 milhões de visualizações no YouTube em seis dias.

Entre os expatriados e ugandenses plugados, o vídeo se tornou motivo de animadas discussões, com debates sobre a exatidão da campanha online e as intenções da instituição que a elaborou.

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Poucos ficaram encantados com tanta a atenção. "Esse é outro vídeo em que eu vejo um estrangeiro tentando ser herói salvando crianças africanas. Vimos muitas histórias como essa", disse Rosebell Kagumire, um blogueiro e jornalista local. "Se você me mostrar como uma pessoa sem voz, desesperada, eu não tenho espaço para contar a minha história. Você não deveria estar contando a minha história, se não acredita que eu também tenho o poder de mudar o que está acontecendo".

Histórico

O movimento rebelde liderado por Kony, o Exército de Resistência do Senhor, teve início no norte da Uganda mais de duas décadas atrás, mas mudou suas operações para outras nações da África Central nos últimos anos. Conhecido por sequestrar crianças para reforçar seus pelotões e brutalizar a população civil, Kony agora opera principalmente na República Democrática do Congo, na República Centro Africana e no sul do Sudão.

No ano passado, militares americanos enviaram 100 conselheiros para a região para ajudar na busca de Kony.

Os críticos afirmam que o vídeo engana os espectadores ao sugerir que o Exército de Resistência do Senhor ainda está presente na Uganda e que o grupo rebelde conta com cerca de 30 mil soldados mirins. Analistas estimam que o grupo está na casa das centenas de soldados. Embora o paradeiro de Kony seja desconhecido, acredita-se que ele não esteja na Uganda.

No país, o conflito com o grupo foi concluído. Gulu, uma das principais cidades do norte do país, onde os moradores viviam em pânico por causa dos combatentes rebeldes de Kony, hoje é repleta de trabalhadores humanitários estrangeiros que estão ajudando a reabilitar a área e investidores privados que esperam lucrar com a expansão comercial da região. 

NYT
Membros da ONG Invisible Children, que fez o vídeo sobre Kony

*Por Josh Kron

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