Em tempos ruins, a Receita Federal parece bem

NOVA YORK ¿ Benjamin Franklin disse que nada no mundo é certo, exceto a morte e os impostos. Quando a morte não é uma opção e o mundo está em uma incerteza crescente, impostos parecem uma alternativa intrigante para a profissão. Ou, mais precisamente, para o que a Receita Federal chama de administração de impostos.

The New York Times |

Nesta terça-feira, a Receita mostrou oportunidades ao oferecer uma feira aberta ao público no prédio onde fica seu escritório na Avenida da Broadway, 290, na parte baixa de Manhattan. Uma hora antes de a exposição abrir, a multidão começou a se enfileirar ¿ empregados recentemente demitidos, vestidos com ternos com riscas de giz e capas de chuva; e pessoas vestidas de maneira menos formal; uma mulher com um novo grau de graduação em seu currículo e um bebê de 14 meses no carrinho.

Antes de se deparar cara a cara com funcionários da Receita Federal, antes de ter a chance de ouvir sobre o modo de trabalho da agência e de seu plano de aposentadoria transferível, tiveram de esperar um pouco. A fila para a feira de recrutamento se expandiu ao longo da Avenida da Broadway, virou a esquina, continuou pela Rua Reade e virou a esquina de novo na Rua Elk.

Quando os candidatos às vagas chegaram ao salão, tiveram que tirar o excesso de água de seus guarda-chuvas e capas. Seguindo as instruções dos seguranças, também tiveram que tirar os sapatos, cintos, relógios e passar pelo detector de metal.

A esperança estava em um passeio de elevador, no 30º andar, onde mesas foram montadas com papéis que descreviam os detalhes das diferentes unidades da Receita Federal. Funcionários da agência estavam esperando para falar sobre suas próprias carreiras, mas não estavam lá para oferecer trabalho imediato. Candidatos com alto potencial disseram que foram mandados para casa e foram ditos para entrarem no website ¿ www .jobs.irs.gov ¿ e procurar vagas para as quais eles poderiam ser qualificados e se candidatarem online.

Houve coisas que deixaram as pessoas mais caladas ainda, como os impostos. Os candidatos à presidência levaram esse assunto um para o outro como uma peteca durante o jogo, mas ninguém na feira de carreiras falava sobre a Receita Federal como uma indústria em crescimento.

Candidatos

Kevin Somers, que faz ilustrações para materiais de preparação para testes e revistas em quadrinhos, disse que estava considerando se candidatar para trabalhar na Receita Federal, porque a agência foi gentil quando seus trabalhos como  freelancer diminuíram há alguns anos e ele ficou com os impostos atrasados. A idéia de a Receita ser fatal e ameaçadora mudou em minha cabeça, disse ele. Eu a vejo como uma maneira de ajudar as pessoas.

Dave Reinhart, de 57 anos, de Pompton Lakes, N.J., disse que estava interessado em se tornar fiscal da Receita ¿ Alguém que, pelo que eu entendo, examina o retorno de impostos. No que eu li sobre eles, estão interessados em contratar pessoas da minha faixa etária, disse.

Ele disse que trabalhou na AT&T, na Lucent Technologies (companhias de telecomunicações) e também na Home Depot (companhia varejista de produtos para o lar e construção), onde era responsável por encarregados de 43 lojas. Eu saí quando me disseram que eu teria que passar mais de 50% do meu tempo na estrada, visitando lojas, disse ele. Na Receita Federal, eu não acho que terei de fazer isso.

Vítimas da crise

Algumas pessoas que estavam procurando emprego disseram que eram vítimas da crise financeira. Jean Delice foi demitido de seu cargo de especialista em engenharia da computação na Lehman Brothers quando a empresa, segundo ele, chegou ao fundo do poço. Delice disse que a falência da firma lhe custou tudo, incluindo a indenização por desligamento e que a esperança de estabilidade por um longo período em uma agência do governo parecia muito boa.

Você pode conseguir um emprego lucrativo no mercado financeiro agora, mas por quanto tempo você o manterá?, perguntou ele. Em todo lugar que olho, vejo demissões. Se eu pegar uma redução no pagamento de U$ 10.000,00 ou de U$ 20.000,00, por um longo tempo, eu vou em frente. O governo não está no comércio de negócios. Está em torno dele.

Warren P. Baker de Westport, Conn., contador público autorizado que trabalhou na Price Waterhouse no começo de sua carreira, disse que fazia empréstimos para a JPMorgan Chase até março, quando a empresa comprou a Bear Stearns, respeitável banco de investimento que entrou em colapso. Ele disse que alguns empregos foram logo eliminados, incluindo o dele.

O setor bancário irá melhorar, mas não tenho certeza se quero esperar por isso, disse ele. Há tantos de nós no mercado. Eu me candidatei a um emprego e me disseram que eu era um de 90 candidatos".

Ele também pode não querer esperar pela Receita Federal. Após ficar na fila da feira de recrutamento, foi a uma entrevista no Bank of America...

Por JAMES BARRON

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