Em tempos de crise, muitos encontram conforto na ceia de Ação de Graças

Com a crise financeira, o desemprego em alta e notícias ainda piores no horizonte, houve muito menos, materialmente, para se agradecer nas mesas de todo o país durante a ceia de Ação de Graças.

The New York Times |

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Para muitos, a exaltação que se seguiu à eleição do primeiro presidente negro foi sobrepujada por preocupações mais imediatas, como de onde virá o próximo salário. Mas ainda assim, de costa a costa, as pessoas trataram a ceia de Ação de Graças com uma resolução corajosa este ano, determinadas a deixar de lado as preocupações ainda que por um momento.

"Eu gasto muito tempo à noite pensando sobre como sobreviver a tudo isso", disse Tracy Louis-Marie, mãe de dois filhos que vive em Los Angeles. Seu marido é ilustrador e seu trabalho caiu pela metade nos últimos dois meses. "Eu quero que estas três horas desta tarde especial sejam como um oásis sem stress algum", disse Louis-Marie.

Algumas pessoas fizeram alguns cortes na ceia.  Houve menos luxo, parentes cancelaram viagens de longa distância e os anfitriões optaram por dividir os custos com os convidados. No ano passado Louis-Marie preparou uma ceia orgânica, mas neste ano só conseguiu comprar um prato deste tipo: o peru. Mesmo assim, no espírito do feriado, ela convidou um estranho, que trabalha levando os cachorros do bairro para passear, para participar da comemoração em sua casa.

Para Matt Egan, um pai recentemente desempregado que vive em Mount Gilead, Ohio, o dia foi obscurecido pelos temores de como sua família fará para sobreviver até o próximo ano.

Egan recebeu uma ligação automática no último sábado, informando que ele havia sido dispensado de seu trabalho como passadeiro de uma lavanderia industrial da região. Na semana passada, sua mulher, Tracy, também perdeu o emprego como especialista em tecnologia da informação.

O casal, ambos com 35 anos, passaram a Ação de Graças na casa do pai de Egan, depois de colocar sua filha de seis anos e os gêmeos de um no carro da família mantendo um sorriso no rosto.

"Agora nós estamos alarmados, andando de um lado para o outro pensando no que fazer", disse Matt Egan. "Nós só podemos deixar algum pessimismo transparecer, porque temos crianças pequenas".

Outras famílias optaram por ceias ainda mais exuberantes, como em desafio aos tempos.

Tanya Harper, cujo salão de beleza em Manhattan teve 30% de queda nos negócios, passou a tarde com 150 parentes e amigos em um banquete no salão Jamaica, no Queens. Cinco dos membros mais antigos da família morreram no ano passado, então os sobreviventes, que são de Barbados, resolveram acabar com a tristeza com uma grande festa, cinco perus, seis presuntos e pratos caribenhos, como peixe voador.

"Nós não somos ricos, mas nossa família precisa se unir mais e agradecer", disse Harper.

No Bronx, mais de 30 convidados foram recebidos no apartamento de quatro quartos compartilhado por uma grande família, o Roberthsons e os Moores. Muitos na família estão em dificuldades financeiras, mas sua Ação de Graças foi abundante mesmo assim, com frangos, abóboras e tortas.

Em seu espaçoso apartamento no bairro de Upper West Side em Manhattan, Jake e Amy Schrader, pais de gêmeos de cinco anos, passaram a tarde de quinta-feira preparando a ceia de Ação de Graças. Eles são anfitriões há quatro anos e sete parentes estiveram com eles ontem. Os pratos foram os mesmos, apesar de algumas renúncias pairarem pelo ar: Schrader, que trabalha no mercado financeiro, parou de economizar para sua aposentadoria e para a faculdade dos filhos.

Por CARA BUCKLEY

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