Em retaliação, Rússia lista americanos impedidos de entrar em país

Medida é adotada após EUA imporem sanções a russos associados à morte de ativista; caso ressalta incerteza nas relações dos países

The New York Times |

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Presidentes russo, Dmitri Medvedev, e americano, Barack Obama, tentaram relançar relações em encontro em Washington em 24/6/2010
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia anunciou no sábado que confirmou uma lista de cidadãos americanos que serão impedidos de entrar na Rússia, em um movimento de retaliação contra a adoção dos Estados Unidos da chamada “Lista Magnitsky”, que impõe sanções a oficiais russos que estão associados à morte de Sergei L. Magnitsky em 2009.

A nova lista da Rússia inclui oficiais americanos implicados em crimes contra cidadãos russos, assim como outras violações dos direitos humanos, disse o porta-voz Aleksandr K. Lukashevich. Ele mencionou a tortura de prisioneiros, detenções extrajudiciais na Baía de Guantánamo e a morte de civis no Iraque e no Afeganistão como possíveis focos da ação.

Suas observações ressaltaram as incertezas que estão por vir na redefinição das relações entre os EUA e a Rússia, com mudanças políticas em curso em ambos os países e dúvidas sobre um dos objetivos da Rússia, a sua adesão à Organização Mundial do Comércio.

"O assunto não está terminado – se os EUA escolherem o caminho de confronto por vistos, teremos de aumentar essa lista", disse Lukashevich. "Isso não é uma escolha nossa. Queremos um diálogo honesto e respeitoso e maior interação em todas as áreas, incluindo o campo de vistos.”

Três meses atrás, o governo Obama anunciou que dezenas de oficiais russos haviam sido discretamente barrados de entrar nos Estados Unidos por causa da morte de Magnitsky – uma de suas respostas mais afiadas aos abusos dos direitos humanos perpretados pela política russa.

Magnitsky, 37, trabalhava como consultor fiscal para a Hermitage Capital, uma empresa de investimento internacional que estava em uma disputa amarga com as autoridades russas. Magnitsky testemunhou em tribunal que oficiais de alto escalão da polícia haviam roubado documentos da empresa e os usado de forma fraudulenta para requisitar US$ 230 milhões em restituições de impostos.

Preso por alguns dos mesmos oficiais que tinha acusado, Magnitsky foi mantido em prisão preventiva por 11 meses e repetidamente teve negado qualquer cuidado médico. As autoridades prometeram uma investigação completa, mas apenas dois médicos de prisões foram acusados de qualquer delito.

No sábado, Lukashevich condenou a decisão do Departamento de Estado, bem como "a campanha americana em curso a respeito da trágica morte de Magnitsky".

"Em sua essência, falamos de uma tentativa de colocar pressão direta sobre as instituições de nosso governo, que nada tem a ver com preocupação pelos direitos humanos ou um desejo de descobrir todas as circunstâncias do caso", disse.

*Por Ellen Barry

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