Em Nova York, homens são mais adeptos da bicicleta do que mulheres

Apesar de esforços para atingir público feminino e incentivos para tornar cidade mais acessível, para cada mulher ciclista há três homens que usam bicicleta

The New York Times |

Quando Julie Hirschfeld abriu uma loja de bicicletas para mulheres, ela imaginou clientes obcecadas por moda e que desdenham tecidos atléticos de lycra comprando novas bicicletas e acessórios que usariam nos movimentados quilômetros e mais quilômetros de novas ciclovias de Nova York.

Ela colocou à venda em sua loja diversas bicicletas de inspiração vintage, com selim da marca Brooks e fez parceria com a marca Kate Spade para vender uma bicicleta de US$ 1,1 mil da cor de grama recém-cortada e capacetes que passariam mais por chapéus elegantes.

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Isabel Veyssi, 8 anos, e Aerin Hohensee, vendedora na loja Adeline Adeline, em Nova York. Mais do que acessórios, mulheres querem se sentir seguras ao escolher um meio
Um ano depois, Hirschfeld admitiu que é preciso mais do que moda para levar as mulheres a adotar as bicicletas. "As mulheres querem se sentir seguras", disse Hirschfeld, que expandiu sua loja na Rua Reade, a Adeline Adeline, para também atender aos ciclistas do sexo masculino. Ela disse que, se a percepção do perigo se dissipar "as mulheres irão usar bicicletas mais que os homens”.

Apesar dos esforços da cidade para se tornar mais acessível aos usuários de bicicletas, os homens continuam usando bicicletas muito mais do que as mulheres – cerca de 3 para 1 – como fizeram ao longo das últimas duas décadas.

Dados monitorados pela cidade e por grupos privados mostram que a diferença entre os ciclistas do sexo masculino e feminino é ainda maior em áreas onde o tráfego de veículos é mais concentrado. Esses números revelam uma grande diferença não apenas daqueles registrados na maioria das grandes capitais ciclistas do mundo, como Copenhague e Amsterdã, onde as mulheres constituem a maioria dos ciclistas, mas também ficam atrás de cidades americanas como Portland, Oregon, que diminuíram o hiato de gênero.

Dados monitorados pela Administração Nacional de Segurança nas Estradas nas 10 maiores cidades dos Estados Unidos em 2009 revelam que a cidade de Nova York teve 12 mortes em acidentes envolvendo bicicletas. Mas a cidade ficou em quinto lugar em mortes per capita.

Riscos

Usar uma bicicleta em Nova York não é mais perigoso para mulheres do que homens, mas as mulheres podem estar menos inclinadas a se envolver em algo que é percebido como arriscado, dizem especialistas.

As autoridades municipais e grupos de defesa das bicicletas dizem ter focado mais em transformar o ciclismo em algo mais seguro para todos os nova-iorquinos, e não apenas para as mulheres. A comissária de transporte da cidade Janette Sadik-Khan ressaltou que os seus programas – como a criação de outros 400 quilômetros de ciclovias nos últimos quatro anos – ajudam todos os ciclistas.

"Estamos construindo ruas e ciclovias que tornam o uso da bicicleta mais seguros e mais convidativo – não importa se você tem 7 ou 70 anos de idade, é homem ou mulher”, disse Sadik-Khan em um comunicado.

*Por Christine Haughney

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