Em Nova York, fumantes compram cigarros avulsos para economizar

Com aumento do preços do cigarro e leis antifumo, mercado negro do setor de tabaco prospera na metrópole

The New York Times |

Às 8h30 da manhã, em meio à multidão de trabalhadores de olhar sonolento e viciados de olhar perdido de uma clínica de metadona nas redondezas, plantado no meio da calçada da Oitava Avenida fica Lonnie Loosie. Ele anuncia a quem quiser ouvir: “Newports, Newports, maços e avulsos”.

Raramente passa um minuto sem que alguém entregue um dólar a Lonnie Loosie, conhecido pela polícia por seu nome verdadeiro, Lonnie Warner, 50 anos. E ele lhes entrega dois “loosies” – como são conhecidos os cigarros avulsos.

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Mulheres fumam na Times Square, em Nova York (16/9/2010)
Logo dois associados de Warner, homens mais jovens, chegam e trabalham no mesmo quarteirão. No meio da manhã, o quarteirão abaixo é ocupado por Carlton e seu irmão mais novo, Norman, 54 anos, que também vendem avulsos. Poucos quarteirões acima, outro homem vende cigarros perto de uma loja que troca cheques por dinheiro. Além deles, há diversos outros vendedores itinerantes que ocupam o território sempre que podem.

Os vendedores ambulantes de cigarros são um elemento comum em algumas partes da cidade, como bares que vendem cigarros avulsos violando a lei estadual. Mas com o aumento dos preços dos cigarros e a diminuição dos lugares que permitem fumar, o mercado negro de avulsos está prosperando nas ruas.

Governo

A prefeitura de Michael Bloomberg proibiu o consumo de cigarros em restaurantes, bares, cinemas, playgrounds e do lado de fora de hospitais. Parques, praias e calçadões de pedestres também proíbem os fumantes. Depois disso, houveram aumentos sucessivos nos impostos – o mais recente, um aumento de US$ 1,6 no imposto estadual em julho – que elevaram o preço de um maço de cigarros para US$ 12,50.

“O imposto aumentou e começamos a vender 10 vezes mais”, disse Warner. “Bloomberg acha que está impedindo as pessoas de fumar. Elas estão apenas comprando cigarros avulsos".

Warner e seus associados trabalham na parte baixa da Oitava Avenida, entre as ruas 34 e 35. Ele começou na Sétima Avenida, mas optou por mudar sua área de atuação em um quarteirão e se posicionar diante da loja Staples da Rua 35. “Fui atrás da multidão”, ele disse.

Warner disse que o preço dos cigarros atualmente está muito acima do que as pessoas estão dispostas ou podem pagar. Como evidência, ele revela que entre seus clientes estão trabalhadores de escritórios que ficam tão distantes quanto a Rua 32 e a Rua 40 – pessoas que aparentam ter bons empregos. Ele conta que compra seus cigarros – quase sempre Newports – por pouco mais de US$ 50 o pacote de contrabandistas que os trazem de Estados como a Virgínia, onde o imposto estadual é abaixo de US$ 1 por maço. Ele então os revende por US$0,75 cada, dois por US$ 1 ou US$ 8 pelo maço (US$ 7 para amigos).

Ele e cada um de seus associados levam para casa entre US$ 120 e US$ 150 por dia, segundo Warner, um lucro feito com a venda de aproximadamente 2 mil cigarros. Cada transação é uma pequena contravenção.

Warner se destaca entre os vendedores de cigarros do centro em parte porque parece ser preso com mais frequência que os outros. Isso porque o estilo de venda de Warner está longe de ser furtivo. “Os policiais me chamam de peixe –esse é o meu apelido, porque sou fácil de pegar”, disse Warner. “Quando eles precisam prender alguém, eles vêm atrás de mim”.

Nos quatro anos desde que começou a vender cigarros, Warner se lembra de ter sido preso 15 vezes, geralmente sob a acusação de vender cigarros não tributados. Ele já foi preso tantas vezes que diz ser capaz de reconhecer 10 policiais à paisana. O risco constante de prisão faz trabalhar com associados algo muito importante –“nós temos seis olhos neste quarteirão”, contou.

*Por Joseph Goldstein

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