Em nova política de defesa, Japão promete responder à China

Novas Diretrizes do Programa de Defesa Nacional representam significativa mudança em relação a táticas adotadas na Guerra Fria

The New York Times |

Na nova política de defesa anunciada na sexta-feira, o Japão prometeu responder ao crescente poder militar da China com a construção de mais submarinos e de outras forças móveis capazes de defender as ilhas mais ao sul do país.

As novas Diretrizes do Programa de Defesa Nacional representam o maior passo dado em uma década – e uma mudança perceptível das táticas adotadas na Guerra Fria, de tanques pesados e unidades de artilharia posicionados no norte da ilha de Hokkaido para combater uma ameaça soviética que já não existe – e para reforçar as forças japonesas em torno das ilhas do sul de Okinawa, onde a Marinha da China tornou-se uma presença constante.

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Desfile militar marca aniversário de 57 anos da fundação das Forças de Defesa japonesas (foto de 2007)
As novas diretrizes também adotam uma linguagem incomumente forte para alertar sobre a China e sua crescente atividade militar, chamando suas ações de "um motivo de preocupação para a região e para a comunidade internacional". Três meses atrás, Pequim e Tóquio entraram em confronto diplomático sobre as ilhas desabitadas reivindicadas por ambas as nações, mas controladas pelo Japão. As ilhas são chamadas de Senkaku em japonês e Diaoyu em chinês.

A nova política pede o aumento do número de submarinos do Japão dos 16 atuais para 22, e a redução do número de tanques em um terço para cerca de 400 unidades. Também há um apelo para a criação de mais forças móveis, que os analistas dizem poder incluir a criação de novas unidades aéreas e marítimas que possam se deslocar rapidamente para defender ilhas remotas.

Pedidos de Washington

As orientações também pedem uma maior cooperação militar com os Estados Unidos, protetor do Japão pós-guerra, e outras democracias na região, incluindo Coreia do Sul, Austrália e Índia. Elas não abordam os recentes pedidos de Washington para que os militares japoneses, conhecidos como Forças de Autodefesa, participem de treinamentos com os Estados Unidos e a Coreia do Sul que seriam destinados a possíveis confrontos com a Coreia do Norte.

O Japão tem resistido há muito tempo a pedidos dos Estados Unidos para que aumente seu papel militar na região por causa das restrições da sua Constituição pacifista pós-guerra e as lembranças amargas de uma derrota devastadora na Segunda Guerra Mundial. As novas orientações parecem indicar uma vontade de melhorar um pouco o perfil militar do Japão, mas apenas de maneira defensiva e em conjunto com os EUA.

As orientações também pedem que o Japão reconsidere sua proibição autoimposta sobre a exportação de armas, uma medida que tornaria mais fácil para o Japão se juntar as outras nações, e particularmente aos EUA, no desenvolvimento conjunto de novos sistemas de armas.

O Japão já se juntou aos EUA no desenvolvimento de novos sistemas antimíssil. As orientações de sexta-feira pediram a implantação de mais mísseis interceptores Patriot para derrubar mísseis balísticos da Coreia do Norte, que tem desenvolvido mísseis e armas nucleares.

*Por Martin Fackler

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