Em nome da beleza, americanas adotam prática rápida, barata e mortal

NOVA YORK - Como quase toda mulher, Fiordaliza Pichardo queria apenas ficar bonita. Por isso, alguns anos atrás ela começou a receber injeções de silicone de uma mulher que conheceu através de uma amiga para enrijecer as coxas e o bumbum. Ela nunca esperava pagar um preço tão alto pela beleza.

The New York Times |

Em março, um dia depois de receber uma injeção, Pichardo, 43, morreu do que os legistas determinaram ser uma embolia pulmonar de silicone.

O departamento de saúde da cidade teme que o uso ilegal de silicone como alternativa à cirurgia cosmética esteja em alta. O centro de controle de venenos já recebeu três ligações nos últimos 10 meses de médicos que trataram pacientes com silicone injetável. Nos dois últimos anos, a cidade registrou apenas dois casos.

Oficiais do Departamento de Saúde dizem que outros casos podem ter passado despercebidos, uma vez que os médicos não são obrigados a relatar o envenenamento ou morte por causa do silicone e a substância é difícil de ser detectada em aparelhos de raio-X ou tomografia.

Nacionalmente, os relatos do aumento do bumbum com silicone e outros líquidos similarmente grossos foram revelados do Noroeste a Miami. A agência de Administração de Alimentos e Drogas (ou FDA, na sigla em inglês) também planeja divulgar um alerta sobre os perigos da prática, afirmou sua porta-voz Siobhan DeLancey.

DeLancey disse que o silicone líquido não é aprovado para injeção em tecidos, apenas para o uso nos olhos e em certos implantes onde é contido e não pode vazar.

As americanas são vítimas de um mercado negro da beleza que usa injeções de silicone médico ou industrial como uma forma barata, rápida e facilmente acessível de aumentar os seios, bumbum, coxas e aliviar rugas.

As injeções são populares entre mulheres latinas e transexuais, que podem não conseguir pagar por cirurgias plásticas convencionais e que fazem isso com a ajuda de praticantes não autorizados, afirmam os oficiais.

Apesar do efeito colateral ser raro, o silicone pode migrar pela circulação, criando possíveis coágulos nos pulmões, como no caso de Pichardo, disse o Dr. Nathan M. Graber, diretor de epidemiologia ocupacional e ambiental do Departamento de Saúde e Higiene Mental da Cidade de Nova York. Ele também pode migrar através dos tecidos, causando saliências e dor crônica.

As injeções são administradas em casa, em consultórios improvisados ou em "festas do aumento", onde as convidadas injetam umas nas outras, revelam as autoridades.


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