Em meio a um ataque, súplicas à polícia e aos céus

BINGHAMTON - Na manhã de sexta-feira, Con Thi Thach saiu de casa com pressa para pegar o ônibus a caminho de sua aula de inglês que começaria às 10h na Associação Cívica Americana.

The New York Times |

Ela entrou atrasada, como sempre, na sala de aula onde imigrantes do Vietnã, Haiti, China, Curdistão e Rússia tentavam descobrir o significado da frase "in the black". Alguns pensavam que tinha algo a ver com mercado negro, outros não entendiam como uma cor poderia ter outro significado.

Então, sua busca pelo sonho americano se confrontou com o pesadelo de um massacre. "Pop, pop, pop", disse Thach, relembrando o evento.

Jiverly Wong, 41, outro imigrante do Vietnã que fazia aulas no centro para melhorar seu fraco domínio do inglês, que o fazia se sentir isolado e humilhado, entrou no prédio disparando duas armas.

Tiroteio aconteceu na Associação Civil Americana
Ataque aconteceu na Associação Civil Americana

Ele matou 13 estudantes e funcionários da associação e feriu quatro outros antes de cometer suicídio, segundo a polícia, no pior massacre do país desde o que aconteceu na universidade Virgínia Tech em 2007 .

Diversas pessoas que trabalhavam com Wong disseram que ele se mantinha isolado por causa de seu inglês limitado.

David Ackley, que trabalhou com ele na fábrica de aspiradores de pó Shop-Vac, disse que Wong costumava dizer no começo de toda semana que havia passado o fim de semana em um campo de prática de tiros e sempre brincava a respeito de atirar contra políticos.

No sábado, segundo a polícia, Wong atirou nas duas recepcionistas da associação cívica, matando uma delas e ferindo a outra, Shirley DeLucia, que se escondeu sob a mesa fingido de morta e ligou para a polícia de seu celular. Então ele entrou na primeira sala de aula e voltou a atirar.

No final do corredor estava Thach, 53, que imigrou do Vietnã em 1990. Ela disse que os 14 alunos se esconderam no armário da sala.

Lifrontz Charles, que é do Haiti, disse que conforme esperavam, ele tinha certeza que iriam morrer. "Eu rezava, 'Jesus, salva a minha vida'", ele disse.

A polícia afirmou que Wong fazia aulas na associação cívica, mas desistiu no mês passado.

Joseph Zikuski, chefe de polícia de Binghamton, afirmou que as pessoas próximas a Wong disseram aos investigadores que não estavam surpresas com sua ação. "Ele se sentia humilhado por não conseguir falar inglês e estava chateado por isso", disse Zikuski. "Este comportamento de sua parte não foi um choque completo".

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