Em meio a escândalos e crises, presidente Álvaro Uribe aponta avanços na Colômbia

BOGOTÁ, Colômbia ¿ O acordo comercial estabelecido com Washington está suspenso. Seu primo luta contra a prisão por uma possível ligação com grupos paramilitares. Assassinatos de membros da união continuam. Mas quando questionado sobre os desafios de seu país, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe aponta para o progresso através do fortalecimento das instituições democráticas e do impulso no crescimento econômico.

The New York Times |

A Colômbia não está em um momento de crise, mas um momento de consertos, afirmou Uribe em uma entrevista concedida na última segunda-feira na Casa de Narino, palácio presidencial. Ele apontou um judiciário forte o suficiente para investigar a expansão da corrupção, que já resultou na prisão de dezenas de membros do Congresso colombiano e do ex-chefe de inteligência de Uribe. Quase dobramos o orçamento da Justiça, assinalou.

Na última terça-feira, um mandato de prisão foi despachado para Mario Uribe, ex-senador, primo e confidente do presidente, sob acusações de que ele teria se encontrado com um militar para dialogar sobre campanhas eleitorais que beneficiariam os paramilitares, grupos responsáveis pelas maiores atrocidades já cometidas durante a guerra civil colombiana.

Em uma atitude constrangedora para o presidente, Mario Uribe pediu asilo à embaixada da Costa Rica aqui, ao invés de se entregar à Justiça. A Costa Rica negou seu pedido na noite da última terça-feira. Em entrevista, Uribe não comentou as atitudes do primo, mas enfatizou que houve um declínio no número de assassinatos e seqüestros pela Colômbia desde que tomou o poder em 2002, índice que atribuiu em parte à desmobilização feita por seu governo de centenas de combatentes paramilitares.

Temores emergiram em relação às forças paramilitares, que inicialmente foram formadas para combater guerrilhas de esquerda, mas que agora eclodem novamente no cenário colombiano com o foco voltado ao narcotráfico e extorsão. Os grupos são apontados como os grandes mediadores do comércio ilegal de cocaína; cerca de 90% da cocaína consumida nos Estados Unidos ainda vêm da Colômbia.

Mas Uribe reitera que seu governo reconstruiu o monopólio do Estado para combater qualquer grupo ilegal, se referindo a tais grupos armados como gangs criminosas. Uribe, advogado que estudou em Harvard e Oxford, cuidadosamente anunciou suas palavras em um inglês com bastante sotaque.

Embora os escândalos que permearam o Congresso, seu gabinete e sua própria família, Uribe conta com uma forte popularidade no país, com a aprovação de cerca de 80% da população. Muitos colombianos ficaram ao lado dele após uma disputa diplomática ocorrida em março, com o Equador e a Venezulea, após a incursão militar colombiana em um campo rebelde do Equador.

Mesmo com a luta de alguns simpatizantes pelo terceiro mandato do líder, outro escândalo emergiu esta semana, após um ex-membro do Congresso, Yidis Medina, afirmar que recebeu propostas de favores políticos em troca de apoio à emenda que permitiria a Uribe concorrer ao segundo mandato em 2006.

Uribe desmentiu a acusação, dizendo: meu governo reconhece o direito de participação política, nunca tolera corrupção.

Quando perguntado sobre um suposto terceiro mandato, que dividiu a elite política colombiana, ele iniciou uma discussão que abordou os muitos desafios que a Colômbia ainda tem pela frente. Com um sorriso, ele desviou a atenção quando pressionado por uma resposta e concluiu: a longo prazo, é melhor que um país tenha vários líderes para segurar a tocha.

Expressando desprezo pela guerrilhas de esquerda, que ainda estão em guerra com o governo, Uribe, cujo pai teria sido morto por rebeldes em uma tentativa fracassada de seqüestro, disse que espera que ligações entre os rebeldes e alguns legisladores venham à tona, de modo a revelar uma outra faceta das conexões entre o Congresso e grupos armados ilegais.

A situação no Congresso é tensa, com dezenas de membros deixando seus assentos pelo escândalo paramilitar bem como pela suspensão da discussão sobre leis. Mas os seqüestros são também uma rara evidência de ressalto institucional, com alguns poucos países da América Latina que possuem um forte poder judiciário para combater a corrupção em grandes escalas.

Uribe relacionou a disparidade da Colômbia em relação a alguns países vizinhos, particularmente o Equador, a Bolívia e a Venezuela, com regimes esquerdistas, com as visões opostas quanto à relação diplomática com os Estados Unidos, ao capital estrangeiro e às forças de mercado na economia.

Reconhecemos que há algumas exceções na América Latina, disse, explicando a abertura ao investimento privado de origens nacionais e estrangeiras. Mesmo com uma situação confortável em relação ao combustível, a longo prazo é impossível se construir a coesão social, afirmou em uma sutil referencia às políticas socialistas de Hugo Chávez na Venezuela, líder que Uribe tem hostilizado nos últimos meses.

Na entrevista, Uribe abordou o tema sobre as instituições democráticas, que na sua visão, torna a Colômbia uma grande parceira dos Estados Unidos na região, embora algumas delas tenham sido afetadas durante a guerra civil do país.

A Colômbia tomou decisões para superar um longo pesadelo de violência, disse Uribe, sem sugerir que o fim da guerra estivesse próximo. Na Colômbia, não temos insurgentes contra uma ditadura, declarou. Temos terroristas contra a democracia.

-Simon Romero

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