Em meio a escândalos de Berlusconi, Itália prepara palco para o G8

LAQUILA, Itália - Os preparativos seguem adiantados para a cúpula do G8 que acontece na quarta-feira, mas o tom da reunião irá depender de seu anfitrião, um primeiro-ministro envolto em escândalos sexuais que escolheu como sede uma zona de terremotos ainda atingida por tremores.

The New York Times |

Desde sexta-feira, quatro novos terremotos atingiram L'Aquila, a cidade do centro da Itália para onde o primeiro-ministro do país Silvio Berlusconi se mudou em solidariedade depois que um devastador terremoto matou quase 300 pessoas e deixou 65 mil desabrigados no dia 6 de abril.

Depois que um terremoto de magnitude 4,1 na sexta-feira fez com que assustados moradores da cidade se reunissem nas ruas, o governo anunciou um "Plano B", no qual os líderes mundiais seriam levados de helicóptero até Roma para a reunião caso um abalo grave atinja a cidade.

Berlusconi está sob pressão por outros motivos. Desde que sua mulher anunciou o divórcio, em maio, dizendo que ele está "indisposto" e o acusando de se cercar de jovens mulheres, dúvidas sobre a vida pessoal de Berlusconi continuam a surgir, inclusive sobre a possibilidade de acompanhantes de luxo terem sido pagas para participar de festas em sua residência oficial em Roma.

Com o surgimento das denúncias, Berlusconi permaneceu desafiador. "Eu sou assim", ele disse no mês passado. "Eu não vou mudar. Se eles gostam de mim assim, então gostam de mim assim". Na verdade, uma pesquisa de aceitação feita na semana passada descobriu que o índice do primeiro-ministro caiu dois pontos desde maio, chegando a 49%.

Berlusconi planejava sediar o Grupo dos 8 em La Maddalena, uma ilha na Sardenha, onde as delegações seriam acomodadas em iates de luxo. Mas quando o terremoto atingiu esta região no dia 6 de abril, ele teve uma nova ideia - realizar o encontro aqui em solidariedade aos moradores.

Há alguns quilômetros do local de encontro, milhares de desabrigados ainda vivem em barracas, esperando moradias que o governo prometeu construir até o outono. A economia da região foi devastada, com comércios, escolas e prédios governamentais em ruínas.

Alguns moradores não parecem empolgados com a chegada da comitiva do G8. "Eu não sei se essa foi uma boa escolha", disse Chiara Di Crosta, 33, em um acampamento no centro de L'Aquila. "Há coisas mais importantes, como casas".

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