Em meio à crise, EUA têm 'boom' de cremações

Se tendência impulsionada por menor custo se confirmar, em 2017 mais corpos serão cremados do que enterrados no país

The New York Times |

Enquanto Toni Kelly lutava contra o linfoma, primeiro com um transplante de medula óssea e, depois, com sessões de quimioterapia, ela também se preocupava com o fato de que sua batalha de quatro anos contra o câncer iria destruir as finanças de sua família.

Seu marido, Doug, se recusou a considerar seus pedidos para interromper o tratamento. Mas ela sabia que depois que morresse, o que aconteceu em 29 de setembro, havia uma maneira de não aumentar muito uma dívida que já estava em torno de US$ 200 mil. Como um número cada vez maior de americanos, ela pediu que seu corpo fosse cremado.

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Doug Kelly, que perdeu a mulher em setembro, mostra a urna onde estão suas cinzas (02/12)

Quase um tabu nos Estados Unidos há 50 anos, hoje 41% dos mortos nos Estados Unidos são cremados e não enterrados, um número muito maior do que os 15% de 1985, segundo a Associação de Cremação da América do Norte.

A crise na economia é claramente um dos fatores que impulsionaram essa mudança. A disposição dos restos mortais de Kelly custaram cerca de US$ 1,6 mil, incluindo uma notificação da morte, uma certidão de óbito e uma urna comprada online. Foi uma fração dos US$ 10 mil a US$ 16 mil normalmente gastos em um funeral tradicionaL.

Com a taxa de cremação aumentando quase um terço mais rápido do que nos meados da década passada, estima-se que o número de cremações irá passar de 50% em 2017 (deixando os EUA atrás do Canadá e de grande parte da Europa e Ásia). Embora as taxas estaduais de cremação variem amplamente, de 13% no Mississippi para 73% em Nevada, os Estados têm visto um aumento contínuo desde 2005.

Até recentemente, disse Michael W. Nicodemos, presidente da associação, as preocupações com o custo raramente faziam parte da decisão sobre a cremação na funerária Hollomon-Brown, localizada na região de Tidewater, Virginia. No passado, as principais justificativas eram de que o jazigo de família tinha se tornado desnecessário na sociedade transitória de hoje e que a cremação oferecia a parentes e amigos que moram longe mais tempo para se reunirem para um velório.

Hoje, disse ele, quase metade das consultas eventualmente fala sobre o assunto financeiro e a taxa de cremações em nove funerárias subiu de 35% seis anos atrás para 55%.

"Conversei com seis famílias ontem e todas as seis optaram pela cremação," disse Nicodemos. "Isso diz alguma coisa."

Por Kevin Sack

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