Em meio à crise, americanos pagam para trabalhar em estágios não remunerados

Com a dificuldade em se conseguir um emprego em um mercado difícil, muitos recém-formados têm aceitado alegremente trabalhar em estágios não remunerados. Mas, mesmo assim, eles passaram a ter que competir com desempregados que têm muito mais experiência.

The New York Times |

Por isso, números cada vez maiores de diplomados ou estudantes (ou, geralmente, seus pais) estão pagando milhares de dólares a serviços que os ajudam a conseguir estágios.

Chame estes estágios não remunerados de posições nas quais eles pagam para trabalhar.

"É muito louco", disse David Gaston, diretor do centro de carreiras da Universidade de Kansas. "A demanda por estágios nos últimos cinco ou 10 anos abriu este enorme mercado".


Estudantes assistem à palestra sobre estágio nos EUA / NYT

Os pais de Andrew Topel pagaram US$ 8.000 a um serviço que ajudou seu filho, no último ano da Universidade de Tampa, a conseguir um emprego de verão como um assistente na agência Ford Models, uma das maiores de Nova York.

"Teria sido muito difícil" conseguir um emprego como este, disse seu pai, Avrim Topel, "sem ter um amigo ou conhecer alguém com um contato pessoal". Andrew completou seu estágio em julho e foi convidado a retornar para uma entrevista depois de sua formatura.

Seus pais usaram uma companhia chamada University of Dreams (Universidade dos Sonhos, em tradução  literal), a maior de uma indústria que prosperou nos últimos anos conforme a experiência em estágios se tornou quase uma necessidade em qualquer currículo iniciante competitivo.

A companhia anuncia a colocação garantida em um estágio, oito semanas de moradia de verão, cinco refeições por semana, seminários e excursões ao redor de Nova York por US$ 7.999.

Ela diz ter posicionado mais de 1.600 estagiários em 13 cidades este ano, cobrando até US$ 9.450 por um programa em Londres e US$ 5.499 pelo mais barato, na Costa Rica.

Diretores da companhia dizem que conseguem posicionar seus clientes porque desenvolveram relações de trabalho com uma grande variedade de empregadores.

Os empregadores dizem que os intermediários economizam tempo e problemas. "Eles facilitam o processo de procura", disse Sarah Cirkiel, o principal executiva da Pitch Control Public Relations, uma empresa de Nova York que alojou 20 estagiários da University of Dreams.

Mas muitos pedagogos e estudantes argumentam que os programas criam um vão entre estudantes que têm pais dispostos e capazes de comprar um estágio para seus filhos e aqueles que não têm.

"Você vai aumentar esta divisão muito cedo, entre famílias que entendem este processo de investimento e pagarão e as famílias que não têm como fazer isso ou não querem", disse Anthony Antonio, professor de educação da Universidade de Stanford.

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