Em mais uma derrota, Kadafi perde fiel enfermeira ucraniana

Galyna Kolotnytskaya retornou a Kiev domingo, depois de nove anos na Líbia; enfermeira era parte do círculo de confiança do líder

The New York Times |

Reuters
Galyna chega ao edfício em que vive em Brovary, perto de Kiev, na Ucrânia (28/2/2011)
Conforme a revolta popular da Líbia aumenta o cerco a Muamar Kadafi, ele parece ter sido abandonado por seus principais oficiais, diplomatas e até mesmo batalhões militares, que têm entrado para a oposição. Mas o líder líbio perdeu alguém ainda mais importante, que era de sua total confiança: sua enfermeira ucraniana.

Segundo dossiês diplomáticos americanos, Kadafi raramente era visto sem a companhia de sua enfermeira pessoal. Os dossiês insinuam algo mais do que uma relação profissional com a mulher, descrita pelo Departamento de Estado como uma "loira voluptuosa".

Um jornal ucraniano informou que a enfermeira Galyna Kolotnytskaya, que emigrou para o país árabe há nove anos, retornou no domingo a Kiev a bordo de um avião onde viajavam cerca de 200 ucranianos retirados do país do norte da África. Segundo a imprensa local, que cita pessoas que a acompanharam no voo de volta à Ucrânia, Galyna defendeu o regime de Kadafi e se mostrou convencida de que o ditador líbio deterá a rebelião.

Na segunda-feira, a enfermeira permaneceu em silêncio ao ser cercada pela imprensa quando saiu para fazer compras no supermercado de Brovary, onde vive. "Não entendem que não vou dizer nada", respondeu.

Relação

A relação de Kolotnytskaya com o excêntrico líder de 68 anos de idade permanece obscura, apesar de ela fazer parte de um pequeno círculo de figuras femininas que Kadafi, às vezes, confiava mais do que em qualquer homem. Ele também viajou muitas vezes protegido apenas por uma legião de guarda-costas femininas.

O relato, como os dossiês, questionou o papel de Kolotnytskaya na estrutura da liderança na Trípoli pré-insurreição. O jornal menciona também uma ampla especulação na Ucrânia sobre a sua posição se dever a um relacionamento romântico entre ela e Kadafi, que é casado com outras duas mulheres, uma das quais também é enfermeira, e qual a influência que ela pode ter tido sobre ele.

Os dossiês diplomáticos americanos divulgados pelo site WikiLeaks, afirmam que Kolotnytskaya estava constantemente ao lado de Kadafi, quando ele visitou Nova York em 2009 para uma reunião de Assembleia Geral da ONU. Os documentos, no entanto, também descrevem Kadafi como um homem hipocondríaco, dando suporte para aqueles que argumentam que suas funções principais eram realmente as de uma enfermeira.

Ucranianos

O Ministério de Situações de Emergência da Ucrânia realizou uma grande operação de retirada de todo pessoal médico ucraniano da Líbia. Antes da revolta começar há duas semanas, cerca de 3 mil médicos e enfermeiros ucranianos trabalhavam no país.

Na entrevista à imprensa local, a filha de Kolotnytskaya, Tetiana Kolotnytskaya, descartou qualquer relação especial entre a mãe e o líder líbio. Ela disse que sua mãe foi à Líbia há nove anos inicialmente para trabalhar em um hospital de Trípoli, e que mais tarde foi transferida para a equipe de enfermagem pessoal de Kadafi.

"Outras mulheres ucranianas também trabalham como suas enfermeiras", disse ela. "Minha mãe é uma delas. Por alguma razão, ele não confia algumas questões aos líbios".

Reuters
Galyna Kolotnytska é vista ao lado de Kadafi (foto de arquivo)
*Por Andrew E. Kramer, com informações da agência EFE

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG