Em julgamento do 11 de Setembro, advogados terão tempo cronometrado

Em medida rara, juiz fixa limite de tempo para defesa e acusação apresentarem seu caso em questão de minutos, em vez de dias

The New York Times |

Há nove anos, a família de Marcos Bavis, um passageiro no segundo avião que atingiu o World Trade Center no dia 11 de setembro de 2001, tem esperado um julgamento no processo de morte injusta que apresentou contra o a United Airlines e outros acusados.

A família, determinado a provar no que acredita ter sido negligência, tem resistido a todas as tentativas de acordo. Essa é a última ação de morte injusta ainda pendente de mais de 90 abertas após os ataques.

Mas agora, depois dessa espera, aparentemente interminável, com um julgamento previsto para este ano, o juiz Alvin K. Hellerstein do Tribunal Distrital Federal de Manhattan, fixou um limite de tempo. Em uma medida extremamente incomum, Hellerstein vai restringir ambos os lados ao mesmo número de horas para apresentar o seu caso, e contra o tempo como em uma partida de xadrez. "O tempo vai ser expresso não em dias, mas em questão de minutos", disse Hellerstein.

The New York Times
Juiz Alvin Hellerstein, da corte de Manhattan, responsável pelo caso de Mark Bavis, passageiro do segundo avião que atingiu o World Trade Center
O relógio de cada lado vai começar a cronometrar sempre que seu advogado se levantar para questionar ou contrainterrogar a testemunha, ou de argumentar perante o júri.

Hellerstein disse que o julgamento, o único decorrente dos ataques terroristas, vai durar um mês. O juiz deixou claro que está tentando evitar o tipo de julgamento que perdura conforme os sobre detalhes, as minúcias e os argumentos técnicos se desenrolam, e quer manter o júri focado e interessado.

Donald A. Migliori, advogado da família Bavis, disse que limitar o julgamento a um mês e dividir igualmente o tempo – ele estima que cada lado terá cerca de 50 a 60 horas, no julgamento – é algo ambicioso para um caso de tamanha magnitude.

Negligência

A ação alega que os sequestradores foram capazes de entrar no voo 175 da United Airlines em Boston devido à negligência por parte da companhia e de outros acusados.

"A pessoa mais afetada é o meu cliente", disse Migliori. "Estamos falando de milhões de páginas de documentos. Estamos falando de um dos momentos mais importantes da história americana".

Um advogado da United Airlines, Michael R. Feagley, escreveu o juiz reclamando que a divisão do tempo do julgamento "seria injusto", porque os diferentes réus podem ter diferentes argumentos.

Migliori disse antecipar decisões difíceis durante o julgamento. "Você pode ter que dizer: 'eu preciso deixar de lado essa testemunha porque tenho apenas sete horas de julgamento”.

Feagley não quis comentar.

*Por Benjamin Weiser

    Leia tudo sobre: 11 de setembroeuajulgamentonyworld trade center

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG