Urumqi, onde confrontos étnicos mataram 197 há cerca de um ano, é vigiada pelo governo por 39 câmeras

A Rua da Libertação Sul em Urumqi, na China, não parece ser um lugar livre nos dias de hoje.

No cruzamento com a travessa Shanxi, um cruzamento movimentado nesta metrópole no noroeste da China, 11 câmeras de vigilância no topo de um poste de metal acompanham a movimentação.

Mais câmeras vigiam tudo de três outras esquinas – são 39 no total, de fotografia e vídeo de alta resolução.

“A cidade inteira está sob vigilância”, disse um comerciante das redondezas, que como muitos aqui se recusou a dar seu nome. Questionado sobre o motivo, ele respondeu asperamente: "Não tenho nada a ver com isso".

Câmeras são vistas em cruzamento de Urumqi, na China
The New York Times
Câmeras são vistas em cruzamento de Urumqi, na China

Mas não é segredo. Há cerca de um ano, as etnias han e uigur de Urumqi entraram em um dos piores confrontos étnicos na história da China, que deixou pelo menos 197 mortos. Os distúrbios surpreenderam o Partido Comunista e o governo local.

Agora, pelo menos 47 mil câmeras vigiam Urumqi para garantir que não haja mais surpresas. No final do ano, a mídia estatal diz que haverá 60 mil.

A "vídeovigilância" não é rara no Ocidente. Mas em nenhum outro lugar ela cresceu de forma tão explosiva quanto na China, onde 7 milhões de câmeras já vigiam ruas, halls de entrada de hotéis, empresas e até mesmo mesquitas e mosteiros – e onde os especialistas preveem que outras 15 milhões de câmeras serão instaladas até 2014.

Muito desta proliferação é impulsionada pelos mesmos argumentos das nações ocidentais: forças policiais desgastadas, aumento na criminalidade, engarrafamentos maiores e excesso burocrático que atende a qualquer menção de terrorismo.

Mas a China também tem outra preocupação primordial – a ordem social e o controle da dissidência.

Programas de vídeo já conseguem localizar um automóvel em meio a um fluxo de tráfego através da leitura de placas e as câmeras têm melhorado tanto que já conseguem tirar fotos nítidas de pessoas dentro dos automóveis.

Programas de reconhecimento facial estão no início de seu desenvolvimento, mas a China já exige que os usuários de lan houses sejam fotografados, para que os computadores possam identificá-los, não importa em que estabelecimento estejam ou que documento apresentem.

A IMS Research, uma empresa sediada na Grã-Bretanha que monitora a indústria chinesa de vigilância, estima que 30% das instalações de novas câmeras têm uso puramente governamental, de câmeras de vigilância policial a câmeras em bibliotecas ou prisões.

Em Guangdong, na adjacente Hong Kong, as autoridades de segurança estão finalizando a instalação de 1 milhão de câmeras de vídeo cobrindo as principais cidades da região, como Guangzhou e Shenzhen, ao custo de US$ 1.8 milhões.

Pequim deveria ter 470 mil câmeras até o final de 2009, segundo a Associação de Segurança e Proteção de Pequim. Chongqing, uma grande cidade do Sul da China, vai acrescentar 200 mil câmeras em 2012 às 300 mil que tem agora.

Por Michael Wines

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