Em hospital líbio, orgulho e o verdadeiro custo de uma guerra

Hospital Ajdabiya reúne médicos voluntários do exterior e enfermeiras de diversas regiões da Líbia

The New York Times |

A uma curta caminhada do necrotério, os homens se reuniram na quarta-feira antes do meio-dia sob um cartaz que dizia "Free Líbia" e listaram os mortos e feridos nos combates que se alastraram por dias perto dali.

O número15 era Mahmoud Abdel-Hamid, de Benghazi. O número 43, Ibrahim El-Sharif, de Ajdabiya. "Esses são os novos nomes", disse um homem apontando para a placa.

Alguns procuraram por amigos, outros por parentes. Alguns estavam curiosos para ver se conheciam alguém. Osama Moghrabi simplesmente assentiu com a cabeça em reconhecimento. "Mais terão de morrer", disse ele.

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Médicos atendem Hassan Adam Mohammed, opositor ferido em confrontos com forces pró-Kadafi, no Hospital Ajdabiya, na Líbia
No Hospital Ajdabiya, um prédio pequeno e pintado de creme e salmão, as armas calaram-se, com exceção de uma rajada ocasional à distância.

Médicos voluntários do exterior, assim como enfermeiras que vieram do resto da Líbia e o que resta da equipe local lidam com as consequências de um protesto que se tornou uma revolta e de uma revolta que se tornou uma guerra.

"Eu nunca pensei que viria aqui desse jeito", disse Rida Mazagri, um neurocirurgião voluntário de fala mansa de Charleston, Virgínia, que chegou há duas semanas. "Mas nós temos estado à espera de uma fagulha de mudança há 30 anos. Não vamos deixá-la extinguir. Ou ele sai ou ele acaba com todos nós. Esta terra não irá aceitar os dois lados”.

Mazagri, 50 anos, que cresceu em Trípoli, mas deixou a cidade há 23 anos, disse que se sentia impotente enquanto observava a guerra de longe como um expatriado. Depois de dias assistindo tudo pela televisão, ele se cansou. "Eu estou indo embora e não tenho nenhuma ideia de quando vou voltar”, ele lembra de dizer aos seus colegas nos Estados Unidos.

Ele reservou uma passagem que o levou a Atlanta, Roma e Cairo de onde, em seguida, seguiu por terra através da fronteira até Benghazi, a capital da oposição da Líbia.

Voluntários

Médicos aqui dizem que 100 voluntários se juntaram a ele, de países como Estados Unidos, Egito e África do Sul, bem como de cidades que vão de Benghazi passando pela região das Montanhas Verdes até Tobruk, no leste.

As organizações de ajuda enviaram suprimentos do Egito e Catar, e voluntários conseguiram recuperar os mortos e feridos de um campo de batalha onde as tropas do governo mataram dois de seus próprios soldados esta semana.

O Hospital Ajdabiya não é o melhor da região. Um em Benghazi é muito maior e muito melhor equipado. Mas Ajdabiya está mais longe da linha de frente do que um pequeno hospital em Ras Lanuf, onde os médicos tiveram que evacuar o prédio algumas vezes por causa da proximidade do combate.

Isso faz de Ajdabiya o lugar para onde os feridos são levados e o prédio carrega as cicatrizes de três semanas de combates.

No andar de cima estava Ibrahim El-Sharif, número 43 na lista. Depois de oito operações em uma ferida de bala, sua perna esquerda ainda não estava bem, com o sangue vazando pelas ataduras sujas. "Sem arrependimentos", disse ele.

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Luvas usadas por equipes de emergência são vistas em necrotério do Hospital Ajdabiya
*Por Anthony Shadid

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