Em Hong Kong, eternidade toma conta da internet

Site criado pelo governo reúne perfis de pessoas que já morreram

The New York Times |

Hong Kong, uma das sociedades mais conectadas do mundo, está levando a internet ao próximo nível.

Usuários em luto nesta cidade de sete milhões de pessoas receberam na quinta-feira uma nova maneira de homenagear seus entes queridos: um website que permite a criação do perfil de pessoas que já morreram, o www.memorial.gov.hk .

O criador do site não é um jovem ávido usuário da rede mundial de computadores, mas o Departamento de Alimentos e Higiene Ambiental de Hong Kong, que controla os cemitérios e crematórios do país. Mais de 1 milhão de dólares de Hong Kong, ou US$128,000, foram gastos na criação do site.

Reprodução
Site de Hong Kong tem perfis de mortos
O objetivo não é estabelecer uma rede social e não há bate-papo, mas os usuários podem escolher entre diferentes formatos de páginas e músicas de fundo, além de publicar fotos e vídeos em homenagem aos falecidos.

Outras funções incluem permitir que o website seja acessado pelo público geral ou restrito à família e amigos. O "dono" do perfil também pode escolher se quer receber lembretes do aniversário da morte do falecido e, como no Facebook, pode convidar amigos para que visitem a página e publiquem mensagens.

A cultura de Hong Kong leva a morte muito a sério. Cerimônias elaboradas acontecem duas vezes ao ano para homenagear não apenas os que morreram recentemente, mas também gerações de ancestrais.

O website, de acordo com a ideia do departamento governamental de Hong Kong, “não busca substituir as práticas tradicionais de homenagem aos mortos". Ao invés disso, irá permitir que os usuários homenageiem seus entes queridos "a qualquer hora e em qualquer lugar, de maneira personalizada e carinhosa, porém solene".

Além disso, “também permite que as pessoas enviem o link a parentes e amigos no exterior para que prestem sua homenagem e expressem condolências ao morto por meio da página", disse o departamento em uma declaração.

O website é gratuito, mas restrito a indivíduos que foram enterrados ou cremados em locais operados pelo governo de Hong Kong.

Nem todos gostaram da nova iniciativa. Wu Kwok Kin, dono da Kai Kee (Hip Wo), loja que vende coroas funerárias, favorece uma forma mais tradicional de luto. “Não há necessidade de website", ele disse. "O governo deveria usar o dinheiro para construir mais espaços para a colocação das urnas funerárias".

Outros críticos acreditam que essa não é uma maneira sincera de se respeitar os mortos. Alguns dizem que parece demais com um videogame.

Ainda é cedo, mas o memorial online pode conquistar muitas pessoas. "Aqueles que morrem recebem na internet algo que pertence a eles", disse Kit Fan, enquanto esperava o ônibus perto de uma grande funerária em Hong Kong. “Mas as pessoas que ficam ainda precisam ir ao funeral”.

Por Bettina Wassener

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