Em Galveston, as consequências do furacão Ike são piores que a tempestade

GALVESTON, Texas ¿ Para milhares de pessoas presas ao crescente mau-cheiro da ilha de Galveston, as consequências do furacão Ike estão se provando piores que a tempestade em si.

The New York Times |

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Sem água nem energia, sem banheiros que funcionem, comida ou telefones, há preocupações sérias quanto à saúde pública na região. Mais de dois mil moradores que não abandonaram a ilha estão sendo instruídos a deixarem suas casas, e as autoridades estão tentando assegurar que ninguém consiga retornar.   

A tempestade foi fácil, disse Brenda Shinette, 51, que enfrentou o furacão em casa, mas foi para um abrigo no domingo e espera ser levada para o continente. O que veio depois é que foi terrível.  

Ela disse que a falta de banheiros se tornou tão grave no seu bairro que ela tem evitado comer para que não tenha que usar o banheiro.   

Nós não temos chuveiros e a comida está estragada, disse Shinette. Eu sinto como seu eu quisesse desmaiar, mas não sei dizer se é pelo forte calor ou pela falta de comida. 


Lixo se acumula em Galveston, causando mau-cheiro e atraindo mosquistos / Reuters

Resgates

Três pessoas foram encontradas mortas em Galveston no domingo, incluindo uma pessoa em um veículo coberto pela água perto do aeroporto. Autoridades temem que mais pessoas possam ser encontradas na medida em que outras áreas alagadas são vasculhadas, particularmente no extremo oeste da ilha, área terrivelmente devastada, disse o chefe administrativo, Steve LeBlanc.    

Nós estamos recebendo ligações pedindo resgate no lado oeste, disse LeBlanc em uma coletiva de imprensa, mas perdemos toda a comunicação com eles. Nós sabemos que há pessoas lá. O que aconteceu com elas, eu não estou certo.

Autoridades disseram que só dentro de um mês a água e a energia deverão ser restaurados na ilha. Só as equipes de emergência têm permissão para entrar na ilha, disseram.  

Nós queremos que nossos cidadãos fiquem onde estão, disse a prefeita de Galveston, Lyda Ann Thomas. Não voltem para Galveston. Vocês não podem morar aqui por enquanto.

Thomas adicionou: Galveston foi duramente atingida. Nós não temos energia. Não temos gás. Não temos meios de comunicação. Não temos certeza de quando tudo isso será consertado e estará funcionando.  

Saúde pública

O ar está se tornando fétido e está enchendo de mosquitos. O esgoto está correndo em direção às ruas alagadas. A falta de água corrente está se tornando um problema de saúde; sem água, as pessoas não podem dar descarga nos banheiros ou lavar as mãos corretamente.

Pequenos grupos de cachorros perdidos perambulam pelas ruas. Helicópteros voam baixo em busca de pessoas ou durante resgates. Ruínas de prédios destruídos formam filas nos bulevares ao longo do Golfo do México. Um fila de cerca de 60 carros acomodam-se em pilhas de madeira, placas de concreto e pedaços de toldos. Seus motoristas esperam pela Guarda Costeira para receberem comida, água e abrigo. 


Equipes de resgate trabalham na localização de moradores isolados / Reuters

Ao longo das estradas para a parte oeste da ilha que está alagada, gados pastavam próximo aos barcos de recreação e um brilhante modelo antigo de Corvette com água dentro. Geladeiras e caixas de lixo repousavam sobre os jardins de diversas casas, e algumas das construções mais caras da região estavam reduzidas a entulho.

Em Jamaica Beach, imediatamente a oeste de Galveston, seis casas foram destruídas e a maioria das outras foi danificada, disse o policial Steve Hubbel. Ele alertou os moradores que cobras estão se arrastando por entre os escombros e que pregos estão furando pneus nas rodovias. Como a chuva recomeçou no domingo, muitas pessoas em Galveston atingiram seu limite e se dirigiram para o abrigo na Ball High School. O Estado enviou dúzias de ônibus para transportar os residentes até San Antonio.

Eu vou para qualquer lugar, mas não fico aqui, disse Shannika Jones que está no abrigo com os filhos, ambos com menos de dois anos, na fila para embarcar no ônibus. Meus bebês estão ficando doentes. Atrás dela havia uma fileira de cadeira com pessoas idosas, algumas com feridas abertas.

Da próxima vez eles deveriam alertar as pessoas sobre isso, não sobre a tempestade, disse Jones.   

Por IAN URBINA

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