Em dia de primária, John McCain ensaia retorno político

Republicanos do Arizona devem escolher McCain para ser candidato do partido na disputa por uma vaga no Senado em novembro

The New York Times |

Na segunda-feira, trabalhadores estavam ocupados decorando o Centro de Convenções Phoenix, no Arizona, em homenagem ao senador John McCain, que está encerrando uma difícil disputa primária. Mas esta não será uma festa de aposentadoria. “Seis anos mrais!” deverá ser o refrão de seus apoiadores.

As pesquisas mostram McCain, 73 anos, com uma vantagem confortável – entre 15 e 21 pontos, dependendo da pesquisa – sobre o seu adversário republicano, JD Hayworth, 51 anos, um conservador ex-apresentador de programa de rádio e seis vezes congressista, que ofereceu um desafio, mas perdeu força ao longo da disputa.

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McCain abraça uma voluntária de sua campanha no comitê em Tucson, Arizona (23/08)

A posição confortável de McCain, enquanto o Arizona vai às urnas nesta terça-feira, foi uma mudança afortunada de sua posição no início do ano, quando foi considerado uma vítima em potencial do forte sentimento contrário à situação dominante. Mesmo alguns dos seus apoiadores haviam previsto que ele deixaria o posto, como seus colegas veteranos do Senado Robert F. Bennett, republicano de Utah, e Arlen Specter, democrata da Pensilvânia.

McCain tinha vulnerabilidades perceptíveis nesta disputa: seus 27 anos em Washington, num momento em que o clima anti-situação era grande, e em que seus esforços em nome da reforma imigratória batiam de frente com a abordagem linha-dura adotada pelo Arizona.

Mas por gastar livremente e agir como se pudesse perder, o senador conseguiu mudar as coisas.

McCain usou dinheiro que sobrou de sua disputa pela presidência, gastando mais de US$ 20 milhões (em comparação com os cerca de US$ 3 milhões de Hayworth), tornando seu rosto e seus duros ataques a Hayworth onipresentes nas emissoras do Arizona.

A questão agora é saber se mudança radical de McCain para a direita durante a campanha irá voltar para assombrá-lo e, talvez, manchar seu legado como um político pragmático e disposto a negociar com opositores.

O ponto chave da recuperação de McCain foi como ele neutralizou a principal questão de Hayworth, e do Arizona: a imigração.

O senador do Arizona aprovou a repressão da imigração. Ele mudou de ideia sobre a necessidade de uma cerca na fronteira, insistindo que ela foi eficaz. Ele também recuou ferozmente sobre haver um caminho à cidadania para aqueles que entraram no país ilegalmente, algo que apoiava no passado.

Muitas das feridas de Hayworth foram autoinfligidas. Retratando a si mesmo como um estrangeiro em Washington, Hayworth foi prejudicado pela contribuição de campanha que recebeu de Jack Abramoff, o lobista enviado à prisão federal por fraude.

Além disso, a campanha de McCain descobriu um antigo infomercial de Hayworth oferecendo aconselhamento sobre como os contribuintes poderiam obter mais dinheiro do governo federal de maneira fraudulenta. A campanha de McCain transmitiu trechos e questionou o caráter Hayworth.

Por Marc Lacey

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