Em Davos, líderes mundiais mostram temer pacote de estímulo americano

DAVOS, Suíça - Mesmo enquanto o Congresso busca formas de expandir o pacote de estímulo financeiro de US$819 bilhões do presidente Barack Obama, o resto do mundo pondera como Washington irá pagar por ele.

The New York Times |

Poucas pessoas no Fórum Econômico Mundial questionam a necessidade de um impulso à economia americana, a maior do mundo, com um pacote que pode chegar a US$1 trilhão em dois anos. Mas as consequências a longo prazo do aumento nos empréstimos do governo federal, e seu potencial em aumentar a inflação e as taxas de juros em todo o mundo, parecem atrair mais atenção aqui do que em Washington.

"Os Estados Unidos precisam mostrar alguma prova de que têm um plano para resolver a questão fiscal", disse Ernesto Zedillo, ex-presidente mexicano que ajudou a tirar seu país da crise financeira em 1994. "Nós, como países em desenvolvimento, precisamos saber que não seremos excluídos dos mercados de capital, algo que já está acontecendo".

Agora, a maioria dos temores sobre o aumento da dívida governamental se concentrou nos empréstimos de países europeus como Espanha, Grécia e especialmente Grã-Bretanha, que também está no meio de um grande resgate financeiro. Isso recentemente forçou a libra esterlina à menor queda em relação ao dólar em 23 anos.

Ainda que o status do dólar como refúgio em tempos de tumulto impeça este tipo de desvalorização por enquanto, muitos especialistas acreditam que se fatores fundamentais como a falta de poupanças americanas e o aumento no déficit orçamentário não mudarem, o dólar pode ter uma queda eventual.

"Não há muitas seguranças", disse Alan S. Blinder, economista de Princeton que é vice-presidente do Federal Reserve em Washington, explicando porque o status do dólar como moeda de reserva não deve ser ameaçado.

Ao invés disso, o valor a longo prazo do dólar em relação a outras moedas é que está vulnerável. "Em algum momento, pode haver tanta dívida do Tesouro, que os investidores podem começar a pensar se estão sobrecarregados investimentos em dólar", disse Blinder.

Autoridades americanas mantêm que estão cientes do desafio. Valerie Jarrett, conselheira da Casa Branca, prometeu em Davos na quinta-feira que uma vez que o pacote de estímulo financeiro atingir seu objetivo, os Estados Unidos irão "restaurar a responsabilidade fiscal e colocar a economia de volta em um caminho sustentável". Jarrett é a oficial americana de maior escalão em Davos.

Zedillo, que se lembra como o México foi forçado a apertar o cinto quando recebeu bilhões de dólares de Washington para impedir que a economia  ruísse em 1994, foi ainda mais direto.

"As pessoas não são burras", disse Zedillo. "Elas veem o enorme déficit, o enorme gasto e imaginam o que acontecerá a seguir".

Por NELSON D. SCHWARTZ

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