Em Chicago, bairro histórico de Pullman deve passar por revitalização

Projetos buscam reflorescer área planejada da cidade construída pelo empresário George Pullman no século 19

The New York Times |

Em seu auge, o verdejante bairro de Pullman, localizado no sul de Chicago, foi o lar de quase 12 mil pessoas. Os moradores trabalhavam na empresa automobilística local, a Pullman Palace Car Co., e gastavam a maior parte de seu tempo e dinheiro nas casas, escolas, igrejas e lojas que haviam sido construídas para eles por George Pullman, o fundador da empresa e um dos homens mais ricos do mundo.

Reconstrução: Incêndio em Chicago mudou rumo do desenvolvimento urbano nos EUA

O bairro Pullman, que foi construído ao longo de um período de quatro anos no início dos anos 1880, foi um dos primeiros bairros industriais planejados a ser construído nos Estados Unidos.

NYT
David Doig, presidente da organização Iniciativas dos Bairros de Chicago, em frente a casas renovadas em Pullman
Mas o destino do bairro foi selado apenas alguns anos mais tarde devido à recessão de 1894. Pullman cortou os salários, mas se recusou a baixar os alugueis de seus trabalhadores. O resultado foi uma greve de dois meses liderada por Eugene V. Debs, do Sindicato dos Ferroviários Americanos, e que levou à morte de vários trabalhadores. Depois disso, o Estado pediu que a empresa vendesse as suas participações residenciais. Pullman morreu em 1897.

Nas décadas seguintes, o bairro se tornou apenas mais um na zona sul de Chicago, muito embora tivesse uma aparência distinta. A área é um marco histórico nacional, assim como para o distrito de Chicago. A empresa Pullman continuou sendo a maior empregadora da região, antes de finalmente fechar a fábrica no bairro na década de 1950.

Desde então a área passou por dificuldades. "Um grande número de empresas industriais que costumavam ter suas fábricas na região foram embora e a área começou a piorar muito", disse Anthony Beale, o vereador do nono distrito, que inclui o bairro de Pullman.

Projetos

Agora, uma série de projetos e iniciativas de diversas agências governamentais e grupos sem fins lucrativos querem revitalizar a região.

O maior projeto nesse sentido é o Parque Pullman, que terá um investimento de US$ 350 milhões para transformar o local de uma antiga usina siderúrgica em centro de lazer. O projeto, que terá cerca de 200 mil metros quadrados de espaço comercial, um centro de recreação implementado em um antigo edifício da fábrica de 38 mil metros quadrados e 1,1 mil unidades habitacionais, será concluído na próxima década.

Oficina: Polícia de Chicago aprende a escrever mais que boletins de ocorrência

A primeira fase, que inclui a construção de um Wal-Mart, está programada para começar no fim deste ano ou começo do ano que vem. A primeira fase do projeto irá custar US$ 37 milhões, e metade desse valor será um investimento do Banco dos EUA na forma de novos créditos fiscais de mercado e um empréstimo de US$ 10 milhões. O restante, cerca de US$ 17 milhões, é proveniente do Wal-Mart.

Steven Restivo, diretor de assuntos da comunidade do Wal-Mart, disse que a nova loja irá satisfazer vários objetivos. "É uma oportunidade para atender as necessidades dos clientes e também para mostrar que o Wal-Mart pode ser um marco para o crescimento e desenvolvimento de uma região."

O Grupo Doig e outra grande entidade sem fins lucrativos, a Mercy Housing Lakefront, também estão querendo construir moradias populares na região.

NYT
O histórico Hotel Florence está sendo restaurado pela agência de preservação de Illinois
Hotel

A peça final do quebra-cabeça da renovação do bairro de Pullman é a reforma do abandonado Hotel Florence - batizado em homenagem à filha de George Pullman e onde ele tinha uma suíte de luxo - e a construção de um complexo habitacional no setor onde ficava a fábrica e os escritórios administrativos. As duas propriedades ficam de frente uma para a outra em cada lado da rua 111 e são propriedades do Estado desde 1991.

No ano passado, a Agência de Preservação Histórica de Illinois iniciou a reforma parcial do hotel, que possui mais de 50 quartos, no valor de US$ 3,5 milhões dólares.

Especial iG Recontrução: Veja como cidades se reergueram após grandes desastres

Catherine Shannon, diretora da agência, disse que a renovação era o primeiro passo para encontrar uma utilidade mais prática para o hotel. "É um prédio maravilhoso com uma rica história. E se não investirmos o dinheiro agora, ele futuramente ficará mais caro", disse ela.

Do outro lado da rua, no prédio da fábrica e no complexo de escritórios administrativos, o quadro é um pouco menos claro. Pouco depois que o Estado adquiriu as propriedades, um incêndio devastou ambos os edifícios. Nos últimos 20 anos, o Estado gastou cerca de US$ 16 milhões para reconstruir o prédio da administração e estabilizar o edifício da fábrica.

As idéias para o local são as mais variadas, desde uma cervejaria até um museu do trabalho ou da história dos afroamericanos. "A quantidade de espaço que existe naquele local e suas possibilidades são inúmeras", disse ela. "É realmente uma questão de encontrar alguém que esteja disposto em reconstruí-lo."

Enquanto isso, uma outra ideia que surgiu - ninguém tem certeza de onde - se baseia na história que o presidente americano, Barack Obama, tem como organizador comunitário no nono distrito. Os defensores da ideia disseram que o complexo seria um ótimo local para uma possível biblioteca presidencial de Obama.

"Não temos certeza do quão realista essa ideia pode ser” disse Shannon. "Mas certamente alguns membros da comunidade da região gostariam de ver isso acontecer."

*Por Robert Sharoff

    Leia tudo sobre: chicagoeuaobamaPullman

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG