Em campanha por comida saudável, Michelle Obama mira restaurantes

Equipe de assessores de Obama manteve conversas com grupo comercial, ao pedir que adotem porções menores e refeições mais naturais

The New York Times |

Depois de lidar com a gigante de varejo Wal-Mart e tentar persuadir os fabricantes de alimentos a produzir rótulos nutricionais mais fáceis de entender, Michelle Obama, defensora de uma alimentação saudável, está de olho nos restaurantes dos Estados Unidos.

Uma equipe de assessores de Obama manteve conversas privadas ao longo do último ano com a Associação Nacional de Restaurantes, um grupo comercial americano, em uma tentativa de fazer com que os restaurantes adotem porções menores e refeições para crianças que incluam produtos saudáveis, como cenouras, fatias de maçã e leite em vez da costumeira batata frita e refrigerante, segundo a Casa Branca e funcionários do setor.

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Michelle discursa sobre alimentação saudável ao lado de Bill Simon, CEO do Wal-Mart dos EUA (20/1/2011)
As discussões são preliminares e os participantes dizem que estão muito longe de um acordo, como o que Obama anunciou recentemente com o Wal-Mart para abaixar os preços de frutas e verduras e reduzir a quantidade de gordura, açúcar e sal nos alimentos. Eles revelam, no entanto, como ela está trabalhando para que o setor adote a sua agenda.

Nesta terça-feira, Obama irá iniciar uma campanha publicitária sob o slogan "Vamos nos mexer!", que visa reduzir a obesidade infantil e foi anunciada há um ano. Ela vai apresentar um anúncio de serviço público, aparecer no programa Today Show e fazer um discurso em Atlanta.

"Eles realmente querem uma relação de cooperação com a indústria alimentar e estão negocicando com o setor para avançar algumas ideias", disse R. Lanette Kovachi, nutricionista corporativo da rede Subway, a segunda maior em termos de receitas. Ela disse que participou de pelo menos quatro chamadas em conferência com os assessores de Michelle Obama.

Risco

Mas, em busca de parcerias com a indústria, Obama corre um risco. Embora os nutricionistas e defensores da saúde pública estejam a seu lado na luta por colocar a alimentação saudável na agenda nacional, muitos temem que ela será usada por empresas que não oferecerão mudanças significativas.

"Será que a indústria de alimentos pode desempenhar um papel responsável na epidemia de obesidade? A resposta é não", disse Dr. David Ludwig, diretor do programa Peso Ideal para a Vida, do Hospital da Criança de Boston. "A questão é que as melhores iniciativas podem ser subvertidas por interesses especiais, e é importante estar atento quando formamos parcerias com a indústria".

Oficiais da Casa Branca revelaram que Obama tem acreditado desde o início que trazer a indústria para a mesa de negociação é fundamental para alcançar seu objetivo de longo prazo em eliminar a obesidade infantil em uma geração.

*Por Sheryl Gay Stolberg e William Neuman

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