Em campanha, democratas e republicanos evitam falar em guerra

Enquanto democratas se dividem em relação à continuidade no Afeganistão, republicanos apoiam estratégia de enviar mais tropas

The New York Times |

As guerras no Afeganistão e no Iraque têm dominado a política externa americana nos últimos nove anos, mas o debate sobre elas praticamente não existe na campanha eleitoral deste ano.

Reuters
Marine americano em operação próximo à base de Kunjak, no sul do Afeganistão (22/10/2010)
De Wilmington a Cleveland e Seattle, enquanto os republicanos tentam tirar o controle do Congresso dos democratas, o assunto mal aparece. O mesmo vale para o discurso do presidente Barack Obama enquanto ele percorre o país.

Ele muitas vezes faz alusão ao Iraque, embora brevemente. "Por causa de vocês, há 100 mil jovens homens e mulheres estão voltando para casa do Iraque – por causa de vocês", Obama disse na segunda-feira em Providence. Mas ele não menciona o Afeganistão na campanha. Nem seus adversários republicanos também não.

Tanto democratas quanto republicanos parecem ter decidido que falar sobre as guerras não seria bom para eles. Os democratas estão divididos sobre a guerra e não querem mostrar divisões internas em um ano no qual já têm tantos outros problemas.

Mais tropas

Os republicanos estão unidos em apoio à guerra no Afeganistão e a decisão de Obama de enviar mais tropas para lá, mas não veem necessidade de ressaltar uma questão na qual estão mais ou menos aliados com o presidente.

De qualquer maneira, os republicanos certamente não querem tirar a atenção da economia, assunto que tem funcionado para eles. Além disso, ambos os lados gastaram mais de US$ 1 trilhão nas guerras no Iraque e no Afeganistão desde 2001 – o que faz deste um tópico nada ideal para abrir uma campanha que é dominada pela preocupação com o déficit orçamentário e a taxa de desemprego.

Para a Casa Branca, a falta de uma questão de política externa real com a qual confrontar os republicanos durante a campanha é uma bênção e uma maldição.

Os republicanos ficaram ao lado de Obama em sua decisão de aumentar o número de tropas no Afeganistão, embora não necessariamente com a sua opção de início da retirada no próximo verão. E enquanto os democratas liberais estão descontentes com a decisão de Obama de aumentar a luta no Afeganistão, eles ainda têm de desafiar a Casa Branca a respeito disso de maneira centralizada.

"Eu acho que o presidente é um irônico beneficiário do sucesso do aumento da guerra de Bush contra o Iraque ", disse Charles Cook, editor do The Cook Political Report e analista independente de disputas ao Congresso.

No momento em que Bush ordenou mais tropas para o Iraque, muitos especialistas em política externa argumentaram que esse era um passo fadado ao fracasso. Isso não aconteceu. "Portanto, o aumento de tropas no Afeganistão está recebendo muito apoio ", disse Cook.

*Por Helene Cooper

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