Em breve encontro, administração de Obama tem primeiro contato frente a frente com Irã

HAIA ¿ Foi breve, não estava programado e não foi substancial, mas o encontro entre Richard C. Hoolbroke, enviado do presidente americano, e um diplomata iraniano marcaram o primeiro contato face-a-face entre a administração de Obama e o governo do Irã.

The New York Times |

AP

Akhondzadeh, diplomata iraniano, participa da conferência em Haia

A secretária de Estado Hillary Rodham Clinton confirmou que Hoolbroke, enviado especial dos EUA administração para o Afeganistão e o Paquistão, cumprimentou o vice-ministro das Relações Exteriores, Mohammad Mehdi Akhondzadeh, em uma importante conferência em Haia, na Holanda, para discutir sobre o Afeganistão.

Foi cordial, não planejado e eles concordaram em manter contato, disse Clinton a repórteres ao fim da conferência. Eu mesma não tive nenhum contato direto com a delegação do Irã.

Clinton também disse que os Estados Unidos entregaram à delegação iraniana uma carta pedindo sua intermediação nos casos de dois cidadãos americanos mantidos no Irã e um outro que está desaparecido.

Esses dois contatos feitos com o Irã são outro passo da política de comprometimento da administração de Obama. É um processo de tentativa no qual a Casa Branca faz gestos simbólicos, como o recente vídeo do presidente Barack Obama saudando o povo iraniano e seu governo pelo Ano Novo, enquanto continua a formular sua estratégia de longo prazo.

Alguns oficiais, incluindo Clinton, estão céticos de que os líderes do Irã irão aceitar um diálogo com os Estados Unidos. Mas de acordo com analistas, esse contato mantém o Irã na defensiva ao demonstrar aos europeus, aos russos e outros países que os Estados Unidos estão sinceramente tentando. E falar sobre o Afeganistão é mais fácil do que confrontar assuntos mais delicados, especialmente sobre as ambições nucleares do Irã.

Por semanas, oficiais americanos estimaram que essa conferência pudesse ser um bom lugar para tomar uma atitude. A entrega da carta, juntamente com o cumprimento de Holbrooke durante o intervalo do almoço, mostrou que o encontro foi menos do que uma pura obra do acaso.

Clinton também reagiu cordialmente a observações feitas por Akhondzadeh sobre o que o Irã faria para auxiliar na reconstrução do Afeganistão e para cooperar com os esforços regionais para acabar com a grande dimensão do comércio de drogas afegão, que está avançando sobre a fronteira com o Irã.

O fato de que eles vieram e intervieram hoje é um sinal promissor de que haverá uma cooperação futura, disse ela. O representante iraniano expôs algumas ideias bem claras a qual todos nós iremos perseguir juntos.

O aumento do comércio de drogas no Afeganistão com o Irã dá a Teerã um papel verdadeiro para cumprir, disse Clinton. As questões sobre a segurança da fronteira e, em particular, o tráfico de narcóticos na fronteira com o Afeganistão com o Irã é uma preocupação que os iranianos possuem, e da qual compartilhamos, acrescentou.

O Irã cooperou com os Estados Unidos em relação ao Afeganistão nos dias após os ataques terroristas de 2001, e oficiais da administração ainda os veem como um caminho promissor para uma reconciliação. Clinton tem pedido para que o Irã seja incluído na lista de convidados para a conferência da ONU.

O encontro também ilustrou a personalidade forte de Hoolbroke, cujo título do cargo não inclui o Irã, mas que cuidou de se colocar no centro das iniciativas de políticas externas da administração.

O Irã, que não apareceu na última reunião sobre o Afeganistão, em Paris, não mandou uma autoridade do nível de Clinton, diferente da maioria dos participantes. Mas ao mandar Akhondzadeh, ex-embaixador da Agência Internacional de Energia Atômica, com certeza não foi um sinal de que o país está evitando um contato.

Por MARK LANDLER

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