Em blog, mulher de acusado de massacre afegão descreveu dor e saudade

Casada com soldado americano, Karilyn Bales falou na rede sobre gravidez, saudade e decepção por ele não ter sido promovido

The New York Times |

Ela detalhou sua gravidez enquanto o marido estava a um mundo de distância. Ela descreveu o embrulho no estômago que sentia com a falta dele. Ela escreveu sobre a decepção que sentiu por ele ter sido preterido para uma promoção.

Ela é Karilyn Bales, a mulher do sargento americano Robert Bales , acusado de matar 16 civis afegãos no dia 11 de março. Em um blog, ela transmitia a angústia de ser mulher de um militar, cuidando da casa e de dois filhos pequenos enquanto o marido era convocado repetidas vezes.

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"Bob partiu para o Iraque esta manhã", escreveu no dia 9 de agosto de 2009. "Quincy dormiu na nossa cama na noite passada."

Embora grande parte da "presença online" da família pareça ter sido removida da internet nos últimos dias, os fragmentos que ficaram parecem revelar as dificuldades diárias tipicamente enfrentadas por famílias americanas com um parente em operação militar no exterior.

Em março de 2011, Karilyn Bales escreveu em seu blog que seu marido não tinha recebido uma promoção para E-7, ou sargento de primeira classe. A família ficou decepcionada, escreveu. "Após todo o trabalho de Bob e todos os sacrifícios que ele fez em nome do seu amor por seu país, família e amigos."

Mas Karilyn também ficou aliviada, escreveu, porque esperava que o Exército permitisse que a família tivesse alguma autonomia na escolha de sua próxima localização, já que Robert Bales havia passado anos na Base de Lewis-McChord, no Estado de Washington.

Ela listou suas escolhas principais: Alemanha ("a melhor oportunidade para aventura"), Itália ("a segunda melhor oportunidade para aventura"); Havaí ("nem preciso explicar"); Kentucky ("pelo menos estaríamos perto da família de Bob"), e Geórgia ("para que ele possa ser professor de francoatiradores, e não porque é um lugar divertido para se viver").

Em alguns destes locais, as chances de Bales ser levado à zona de guerra provavelmente teria sido menor. Onde quer que fossem, Karilyn disse que esperava alugar sua casa em Lake Tapps, Washington, "para que pudéssemos voltar para ela quando a aventura terminasse".

Com maior frequência, Karilyn se concentrava em lutas comuns. Ela descreveu telefonemas surpresa e consultas médicas solitárias, sua tentativa de limpar a casa enquanto o marido não estava e os "sonhos ruins" que a acordaram de um cochilo depois do dia em que ele partiu, em 2009. Ela lembrou as discussões sobre os nomes que escolheriam para seu bebê e de celebrar a Páscoa num domingo cedo para que Robert Bales pudesse decorar ovos com sua filha, Quincy, antes de partir novamente.

Em 2006, quando estava grávida de Quincy, Karilyn escreveu que não queria desejar que o tempo passasse mais rápido, mas "infelizmente só quero que os dias passem rápido para que Bob volte para casa."

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Alguns dias mais tarde, Karilyn escreveu sobre um tique comum que ela compartilhava com sua futura filha: "Tenho tido soluços o todo o tempo e sempre acho que é quando Bob está pensando em mim".

Certa manhã, ela sentiu a bebê soluçando na sua barriga. "Acho que Bob estava pensando nela também", escreveu.

Quando Quincy nasceu, em dezembro de 2006, Karilyn Bales escreveu que recebeu um telefonema no hospital. "Era Bob ligando do aeroporto no Kuwait! Foi muito bom ouvir sua voz. Eu lhe contei sobre o parto e ele ouviu Quincy chiando no fundo."

Em agosto de 2007, ela descreveu algumas das primeiras palavras da criança. "Para a felicidade do papai", ela escreveu, "ela disse 'Pa' como em Pa-pa-pa-pai".

O post em que Karilyn escreve sobre a promoção, em março de 2011, parece ter sido o último. Nele, ela explicou porque mantinha o blog: a coleção de posts seria uma "cápsula do tempo" que ela esperava que seus filhos um dia "pudessem gostar de ler para saber mais sobre as decisões que mamãe e papai tomaram durante suas vidas."

Com um deslocamento esperado para os próximos meses, a família seria tomada por mudanças. "Estou esperando para escrever sobre o assunto e olhar para trás em um ano", ela escreveu, "para ver o quanto nós mudamos".

Por Matt Flegenheimer

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