Em audiência, Sotomayor mantém entusiasmo sob controle

WASHINGTON - Durante seu obrigatório silêncio, a juíza Sônia Sotomayor foi descrita como uma mulher entusiasmada. Seus discursos, infinitamente analisados nas semanas desde que o presidente Barack Obama a indicou à Suprema Corte, revelam um ardente orgulho latino. Seus colegas dizem que ela coordena uma bancada de fogo.

The New York Times |

Reuters
Sotomayor responde questionamentos no Senado na terça-feira

Sotomayor responde questionamentos no Senado na terça-feira

Esta não foi a mulher que vimos na terça-feira. Durante muitas horas, quando Sotomayor teve sua primeira chance de refutar críticas e o país pôde ouvi-la discorrer, o entusiasmo não era evidente.

Ao invés disso, ao tentar se defender de críticas dos republicanos (de que permitiria que seus sentimentos comandassem suas decisões) Sotomayor fez o possível para parecer enfadonha, com a possível exceção de seu paletó vermelho. Em nenhum momento ela demonstrou irritação.

Os membros do Comitê Judiciário do Senado passaram o dia discorrendo sobre uma narrativa que poderia ser intitulada "O Conto de Duas Sônias", com os republicanos mostrando a indicada como a advogada de discursos provocativos e os democratas a retratando como a juíza cujas decisões se baseiam em precedentes.

Sua firmeza foi evidente durante o questionamento do senador Lindsey Graham, que na segunda-feira afirmou que ela seria confirmada a menos que "ruísse".

Na terça-feira, Graham fez o que pôde para provocá-la, ao ler inúmeras análises de advogados anônimos que defenderam casos diante dela: "terror na bancada; se comporta de maneira descontrolada; ela é ruim com os advogados; ela ataca os advogados por fazerem argumentos dos quais ela não gosta; ela pode ser ameaçadora".

Quando solicitada a responder, ela olhou para ele sem expressão alguma e parou por alguns momentos. Então, falando com firmeza, disse: "eu não faço perguntas difíceis em uma apresentação oral".

Quando Graham concluiu, o senador Charles E. Schumer, falou sobre as decisões da juíza, declarando que seu histórico fala mais alto do que "declarações anônimas". Para amigos e familiares deve ter sido difícil ver a mulher que conhecem soar tão calma e controlada.

"A juíza Sotomayor é a pessoa mais querida, extrovertida e encantadora que eu conheço", disse a juíza Miriam Goldman Cedarbaum da Corte Distrital dos EUA.

Foi essa mulher que Cedarbaum viu na terça-feira? "Eu não quero comentar o que vi hoje", ela disse. "Mas acho que todos nós fomos treinados a responder bem a este tipo de questionamento".

Leia também:

  • Editorial do NYT: Sonia Sotomayor promete "fidelidade à lei"


Leia mais sobre Sonia Sotomayor

    Leia tudo sobre: política - euasonia sotomayor

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG