Em Anbar, os slogans das eleições são substituídos por uma linguagem de guerra

RAMADI ¿ Acabou a época de pós-eleições, as ameaças de violência silenciaram depois da intervenção de enviados do Exército iraquiano, do governo central e da Marinha dos EUA. A confusão voltou às ruas sujas e destruídas da capital provinciana, que já foi base da revolta sunita.

The New York Times |

NYT
Violência continua após eleições
Violência continua após eleições provinciais
E mesmo assim Faris Taha, um dos vencedores da eleição, de acordo com os resultados preliminares, está muito aterrorizado para voltar para a região que em breve representará.

Eu não posso voltar, disse ele, que fugiu de sua cidade natal, capital da província de Anbar, para um hotel na Zona Verde de Bagdá. Estou com medo.

As eleições provinciais do Iraque em 31 de janeiro aconteceram com uma desordem visível, levantando esperanças de que a democracia poderia ganhar. Mas em Anbar, como em outras províncias inconstantes, os resultados que se esperavam para haver paz, ao invés disso, aumentou as tensões, erguendo o espectro da violência entre aqueles que competem pelo poder político.

A transição da revolta para a política e, então, para o governo ¿ chave para estabilizar o país após seis anos de guerra ¿ provou ser tudo, com exceção de sólido e garantido. Anbar ainda tem que experimentar a fundação da democracia: uma mudança pacífica de poder. Oficiais iraquianos e americanos temem que o estabelecimento dos novos governos provinciais possa ser ainda mais carregado de riscos do que a própria eleição.

Do sul de Basra ao norte de Mosul, ao menos quatro candidatos sofreram tentativas de assassinato desde o dia da eleição, enquanto outro desapareceu enquanto ia para o trabalho próximo de Karbala. Os resultados divididos em Anbar, onde nenhum bloco recebeu mais de 17,6% dos votos, levou a acusações de intimidação, agressão e fraude conflituosas, inúmeras reclamações que a comissão eleitoral levaria meses para resolver.

Os esforços para forjar uma coalizão decisiva, já de uma maneira por baixo dos panos, estão expondo rivalidades tribais e rixas pessoais. A maioria dos incumbidos fugiu da região que governaram em 2005.

No que diz respeito à política, nascemos ontem, disse Sheik Ali al-Hatem, que apoiou a união de tribos do Iraque, que está com 4,5% de votos.

O resultado em Anbar, região vastamente dominada por sunitas a oeste de Bagdá, tem um significado enorme para o desenvolvimento político do Iraque. O local já foi a província mais perigosa do país, consumida por revoltas sangrentas e deram abertura à Al-Qaeda e outros extremistas no fim de 2006. Eles pacificaram a região e planejavam consolidar seu poder nas urnas.

O que impressionou os oficiais iraquianos foi o quão rápido após a votação, alguns líderes tribais voltaram a usar uma linguagem de guerra quando os resultados das eleições os decepcionaram.

NYT

Xeiques se reúnem com candidatos de Saleh al-Mutlaq que ganhou a eleição em Anbar


Mesmo antes que os resultados foram anunciados, o líder do partido que agora se chama Despertar, Sheik Ahmed Abu Risha, ameaçou transformar seus seguidores em um braço armado para acabar com o governo da província. O chefe do bloco Tribos do Iraque, Sheik Hammid al-Hayes, ameaçou incendiar as ruas de Ramadi e transformar a província em um cemitério.

A fúria desses líderes se originou de reclamações iniciais de que o partido do governo, o Partido Islâmico Iraquiano, havia roubado nas eleições de Anbar, como foi feito em 2005 quando a maioria dos sunitas boicotou a votação.

Ao invés disso, o Partido Islâmico continuou sendo acusado de encher as urnas e de relatar resultados a mais em alguns locais de votação. Os líderes do partido negaram qualquer fraude, embora um crítico de eleições estrangeiras tenha dito que as reclamações tinham certa legitimidade. A comissão eleitoral rejeitou algumas votações antes de anunciar os resultados preliminares em Bagdá, na terça-feira da semana passada, disseram oficiais do partido.

O Partido Islâmico não merece nem mesmo 1% de voto em Anbar, disse outro xeique, Aifan al-Issawi, que concorreu pelo Partido Despertar na região de outra cidade grande, Fallujah. Eles tinham sangue nas mãos e eles roubaram a província.

O primeiro-ministro Nouri Kamal al-Maliki rapidamente mandou um de seus representantes, Rafie al-Issawi, um sunita da província, para neutralizar a crise. O comandante do Exército iraquiano, lugar-tenente general Ali Ghaidan Majid, prometeu acabar com a violência. O enviado pareceu ter garantido uma trégua de alguma forma, mas uma resolução final permanece fora de alcance.


Por STEVEN LEE MYERS e SAM DAGHER


Leia mais sobre Iraque

    Leia tudo sobre: iraque

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG