Elite urbana da Índia entra para a política após ataques terroristas

MUMBAI, Índia - Depois de tratar a política como um ritual irrelevante e primitivo por pelo menos uma geração, a elite urbana da Índia começa a reconsiderar seu papel.

The New York Times |

A banqueira Meera Hiranandani Sanyal disse que a morte de um colega nos ataques terroristas a Mumbai em novembro do ano passado fez com que ela mergulhasse na política. Alarmada com o fracasso do governo em impedir o cerco por três dias, Sanyal decidiu concorrer a uma vaga no Parlamento de 543 membros da Índia.

Em Bangalore, o empresário que introduziu as companhias aéreas econômicas no país, G.R. Gopinath, disse que foi impulsionado a concorrer como um candidato independente por causa do fracasso de seu Estado em impedir o ataque de uma multidão a mulheres que bebiam em um bar no começo deste ano.

Em Hyderabad, a próspera cidade tecnológica, um novo partido chamado Loksatta se mostra como a voz da classe média urbana. Loksatta, ou Poder do Povo, terá mais de doze candidatos nas eleições parlamentares, que começam na quinta-feria e duram cinco semanas em todo o país.

Na Índia, ao contrário dos Estados Unidos, a participação eleitoral em bairros ricos tende a ser menor do que a média nacional. Dois em cada três indianos ainda vivem no interior, onde o comparecimento às urnas é muito maior.

A mudança distrital deste ano deu às cidades grandes da Índia maior representação no Parlamento e muitos dos novos políticos dizem que os novos resultados significam que o resultado de muitas eleições irão depender de menos votos. Ainda assim, o impacto dos novos candidatos serão conhecidos apenas quando os resultados serão anunciados em meados de maio.

Quem dúvida dos candidatos diz que ainda que eles possam trazer eleitores da classe média às urnas, independentes como Sanyal e Gopinath tem pouco ou nenhuma chance de vencer pela falta de experiência política e apoio partidário.

"É uma ousadia", disse Sidharth Bhatia, editor do The Daily News and Analysis, um jornal de Mumbai.

Muitos dos novos candidatos criticam sua própria indiferença em relação à política. Gopinath, 57, relembra seus próprios sentimentos quando assistiu imagens de televisão das jovens mulheres que foram atacadas em um bar por uma multidão em Mangalore, em seu próprio Estado de Karnataka, no começo do ano.

"Eu disse, 'Será que nós podemos nos dar o privilégio da indiferença?'", ele diz ter pensado. "A bolha na qual estamos é muito frágil'.

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