Eleições no Irã: ex-presidente se envolve na batalha para tirar Ahmadinejad do poder

TEERÃ - Em um escritório de campanha no norte de Teerã, dezenas de mulheres cobertas com lenços e burcas negras colocam dados em computadores 24 horas por dia, enquanto homens correm ao seu redor com pesquisas eleitorais e mapas dos distritos da cidade.

The New York Times |

Esta central no centro da campanha para derrubar Mahmoud Ahmadinejad, o atual presidente linha-dura do país, não é coordenada por nenhum dos três candidatos que o desafiam na acirrada eleição que acontece na sexta-feira.

Ao invés disso, é parte de uma rivalidade por trás das cenas que ajudou a definir a campanha, na qual Ahmadinejad é confrontado pelo homem que derrotou na eleição passada, Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, ex-presidente de dois mandatos e um dos homens mais ricos e poderosos do Irã.

Na terça-feira, Rafsanjani, cujo filho coordena a operação neste escritório, divulgou uma carta aberta na qual reclama do que chama de "insultos, mentiras e falsas alegações" do presidente e pediu que o líder supremo do país, o Aiatolá Ali Khamenei, intervenha.

Durante um debate de campanha com seu oponente mais forte há uma semana, Ahmadinejad acusou Rafsanjani de roubar bilhões de dólares de dinheiro estatal e o chamou de "principal arquitetador" da campanha contra ele.

O presidente claramente espera associar seus oponentes à figura de Rafsanjani, que é um dos fundadores da república islâmica envolvidos em corrupção.

Rafsanjani revida, acusando Ahmadinejad de prejudicar o próprio Estado. Suas cartas retratam os ataques de Ahmadinejad (destinados a diversas figuras próximas ao Aiatolá Ruhollah Khomeini, pai da revolução de 1979) como um ataque à classe política sênior do Irã e, com isso, à legitimidade de todo o sistema.

"Se o sistema não pode ou não quer confrontar tal fenômeno feio e pecaminoso como insultos, mentiras e falsas alegações feitas no debate, como podemos nos considerar seguidores do sagrado sistema islâmico?", escreveu Rafsanjani.

As amargas acusações ressaltam o surpreendente vigor da limitada democracia iraniana. Os dominantes teocráticos do país impedem a candidatura de muitos iranianos, com exceção de alguns ideologicamente aceitáveis, antes da eleição. Mas dentro destes limites, as disputas são duras e imprevisíveis.

Assim que a carta de Rafsanjani foi divulgada, a equipe de campanha de Ahmadinejad a copiou e distribuiu, claramente apostando que o envolvimento de Rafsanjani favorece o presidente, disse Mohammad Ali Abtahi, presidente do Instituto de Diálogo Inter-religioso.

Milhares de pessoas saíram às ruas de Teerã em nome de Ahmadinejad na manhã de quarta-feira, o último dia de campanha. Horas depois, uma multidão maior demonstrou apoio ao principal opositor, Mir Hussein Moussavi.

Ainda que os comícios tenham sido pacíficos, a enorme presença dos partidários de Moussavi nas ruas da capital gerou inquietação no governo. Na quarta-feira, um oficial sênior da Guarda Revolucionária do Irã acusou a campanha de Moussavi de tentar dar início a uma "revolução de veludo", de acordo com comentários publicados em seu site.

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