Eleições legislativas nos EUA geram dúvidas em todo o mundo

Revés democrata coloca em xeque viabilidade de planos ambiciosos do presidente Barack Obama

The New York Times |

Há apenas dois anos, a eleição do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, repercutiu muito além do território americano, inspirando avaliações eufóricas principalmente na Europa, de que a política do país tinha embarcado em uma nova e duradoura mudança depois de anos de governo Bush. As eleições desta semana finalmente convenceram alguns entre os fãs de Obama a para pensar o contrário.

Conforme os democratas perdem o controle da Câmara e sua presença no Senado é reduzida, muitos estrangeiros ponderam se a mão aberta do novo presidente se fechará e será substituída por uma Casa Branca introspectiva e distraída.

A mudança nas atitudes estrangeiras não é simplesmente uma mudança de humor. Dos assentamentos judaicos na Cisjordânia aos arsenais nucleares da Rússia, a mudança nas relações de poder em Washington deixaram muitos se perguntando se políticas fundamentais podem agora estar fora do alcance de Obama.

E por mais que os líderes enfraquecidos dos Estados Unidos tradicionalmente busquem triunfo compensatório no exterior, analistas de vários países pareciam incertos sobre as perspectivas de Obama de resgatar promessas feitas sobre o Iraque e o Afeganistão – duas questões de importância central para os aliados do país.

A resposta à eleição foi diferenciada e desigual, o que sugere que muitos dos parceiros dos Estados Unidos prefeririam não enfrentar um cataclismo enquanto mudanças nas regras básicas determinam quais importações ainda não podem ser computadas de forma confiável.

Alarme

Um primeiro sinal de alarme surgiu quando, logo após os resultados serem anunciados nos Estados Unidos, o Comitê Internacional da Duma (Câmara dos Deputados) da Rússia retirou sua recomendação para ratificar um novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas com Washington. Isso porque muitos na Rússia temem que os republicanos, alguns dos quais se opõem ao tratado porque acreditam que ele poderia limitar as implantações de defesa antimíssil dos Estados Unidos, têm agora uma maior influência para bloquear a ação no Senado.

Muitos preveem uma reação igualmente profunda no Oriente Médio, permitindo que o governo de direita de Israel continue a resistir à pressão para congelar a expansão dos assentamentos na Cisjordânia.

"O enorme fluxo de novos representantes e senadores eleitos para Washington inclui dezenas de amigos de Israel que irão colocar freios nas políticas consistentemente dúbias e às vezes perigosas de Obama em relação a esses últimos dois anos", observou Danny Danon, um legislador da ala direita do Likud, partido do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

*Por Alan Cowell

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