Eleições israelenses complicam missão de novo enviado americano

JERUSALÉM - O enviado especial americano ao Oriente Médio disse aos líderes palestinos na Cisjordânia na quinta-feira que tem mandato para levar a cabo o processo de paz entre Israel e Palestina apesar das incertezas em relação ao futuro das negociações, que dependem do resultado das eleições israelenses do dia 10 de fevereiro.

The New York Times |

O enviado, George J. Mitchell, em sua primeira viagem à região em seu novo papel, viajou à Ramallah, quartel-general da Autoridade Palestina apoiada pelo ocidente na Cisjordânia, e se encontrou com o presidente Mahmoud Abbas do Fatah e outros líderes palestinos. Apenas a Autoridade Palestina fala oficialmente em nome dos palestinos nas negociações com Israel.

"A paz duradoura é nosso objetivo", disse Mitchell aos repórteres depois do encontro. "Os Estados Unidos irão sustentar um compromisso ativo com dois Estado vivendo lado a lado em paz, de forma estável e segura".

Saeb Erekat, assistente sênior de Abbas que participou da reunião, disse ao telefone que Mitchell principalmente "ouviu durante 90 minutos" o presidente palestino. Erekat disse que Abbas falou sobre a situação em Gaza, onde o rival do Fatah, o grupo militante islâmico Hamas, mantém o poder, sobre tentativas de reconciliação entre Fatah e Hamas, cuja divisão de 18 meses complicou ainda mais as chances de um Estado palestino e sobre a reconstrução depois da última ofensiva militar israelense.

Em uma reunião com o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, na quarta-feira, Mitchell ouviu o que Israel tinha a oferecer aos palestinos nas negociações. De acordo com o jornal Yediot Aharonot, a oferta inclui a evacuação de 60 mil israelenses dos assentamentos judaicos na Cisjordânia e trocas de terras para compensar os palestinos pelos blocos de assentamentos que os israelenses pretendem manter. Bairros árabes do leste de Jerusalém serão passados ao controle palestino e os locais sacros ficarão sob supervisão internacional.

Mitchell encontra Abbas em Ramallah, na Cisjordânia

Mitchell encontra Abbas em Ramallah, na Cisjordânia

Eleições

Mas as pesquisas indicam que Benjamin Netanyahu, líder do Likud, o partido de direita da oposição, deve prevalecer nas eleições israelenses e formar o próximo governo de coalizão, gerando dúvidas sobre a continuação do processo em seu formato atual.

Netanyahu disse que iria encorajar o rápido crescimento econômico para os palestinos na Cisjordânia mas que adotaria uma linha dura em relação ao Hamas. Ele sugeriu que a campanha em Gaza não atingiu seus objetivos. "Está claro que o Hamas está se armando", ele disse à Rádio Israel. "Claro que está nos atacando".

"O próximo governo não terá opção a não ser concluir o trabalho", ele disse.

Por ISABEL KERSHNER

Leia também:

Leia mais sobre Faixa de Gaza


    Leia tudo sobre: faixa de gaza

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG