Eleições e maoístas podem transformar o Nepal

KATMANDU, Nepal ¿ Com as eleições da próxima quinta-feira, esse antigo reino Himalaio, situado estrategicamente entre a Índia e a China, terá a chance de fazer aquilo que as modernas nações já realizaram: remodelar todo o seu governo.

The New York Times |

Após 10 anos de luta, insurgentes maoístas do Nepal saíram da selva e desempenharão agora um papel nas eleições para a escolha de uma assembléia especial para reescrever a constituição. Esta ousada experiência dará a esta nação de 27 milhões de habitantes a oportunidades para reforçar a paz e instalar um governo totalmente eleito. Enquanto isso, é bem provável que chegue ao fim a monarquia que governa o Nepal há 250 anos.

Seus rivais acusam os maoístas de utilizarem a força para ganhar poder numa campanha arruinada pela violência e intimidação. Os maoístas insistem que não querem voltar para o estado de guerra, mas também não abandonaram a idéia de voltar para a luta armada. A julgar pela campanha, críticos aqui e no exterior dizem que não confiam que os insurgentes de ontem terão atitudes democráticas no futuro.

Monitores das Nações Unidas disseram que, embora haja um acordo entre partidos políticos para a manutenção de paz, a violência e a intimidação por políticos ainda continuam. No entanto, acusaram os simpatizantes maoístas de serem os grandes responsáveis pela maior parte dos ataques.

Ainda, há algumas dúvidas sobre suas intenções, disse Shekhar Koirala, que é do comitê central do partido rival do Congresso Nepalês. Eles acham que podem capturar o governo pela força. Isto é uma grande preocupação.

Com 10 mil colégios para votação, cerca de 10 mil candidatos e mais de 234 mil funcionários irão supervisionar toda a operação eleitoral, fato inédito na política do país.

A Assembléia Constituinte irá decidir se a monarquia será abolida, determinará como os diferentes grupos étnicos e castas do país serão representados no governo e ainda qual será o tipo de regime adotado pelo Nepal.

O período de eleições vem num momento que marca o segundo aniversário dos intensos protestos de rua que forçaram a saída do rei Gyanendra e que retiraram os maoístas da selva. Sob um acordo de paz, os rebeldes concordaram em afastar 20 mil combatentes e prender as armas sob supervisão da ONU.

Enquanto os maoístas tentam se mostrar como líderes que cumprem as leis, palavras e ações refletem um estranho descompasso. Às vezes, por exemplo, o líder maoísta Prachanda, cujo nome verdadeiro é Pushpa Kamal Dahal, disse que seu partido irá capturar o Estado.

-Somini Sengupta

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