Egito: Chefe do Google e apresentadora de TV fortalecem protestos

Mona El-Shazly, do programa Ten P.M., desafiou imposições das autoridades egípcias e deu a Wael Ghonim plataforma para oposição

The New York Times |

A apresentadora de televisão narrou as imagens dos manifestantes mortos na tela comparando os sorrisos dos jovens a rosas em um jardim. "Eles saíram às ruas em nome do Egito", disse a apresentadora Mona El-Shazly. "Eles disseram que aquilo que as gerações anteriores não puderam fazer, nós podemos".

AP
Wael Ghonim falou aos manifestantes contrários ao governo, que o esperavam na praça Tahrir, no Cairo (9/2/2011)
Seu convidado era o executivo do Google e ativista recém-libertado Wael Ghonim. Ele é um dos organizadores dos protestos antigovernamentais, que foi secretamente preso pelas autoridades conforme as manifestações ganharam força.

Mas, diante do número de vítimas da revolta, ele ficou chocado. Ele se levantou da cadeira no estúdio e saiu da frente das câmera enquanto Shazly tirava seu fone de ouvido e o seguia.

Esse episódio aconteceu na segunda-feira no programa Ten P.M., transmitido em um canal via satélite popular no Egito, e apareceu para minar duas semanas de propaganda estatal implacável e injetar um novo vigor em um movimento de protesto que alguns temiam ter começado a minguar.

Ghonim, emotivo e bonito, rapidamente se tornou um ícone do movimento de resistência, e Shazly, equilibrada e desafiadora, a sua promotora.

Pressão

O programa de Shazly sempre foi popular e à frente de muitos dos seus concorrentes. Ela é conhecida por sua independência.

Mas nas últimas semanas, como seus concorrentes, ela enfrentou a pressão das autoridades egípcias para minimizar os protestos. Enquanto alguns de seus concorrentes ficaram em cima do muro, Shazly ignorou as exigências e deu a Ghonim uma plataforma para falar sobre sua prisão, permitindo que ele reagisse às fotos dos homens que morreram.

Assistindo ao programa em casa, Ibrahim El-Bahrawy, um professor universitário, ficou atordoado. "Suas emoções explodiram", disse Bahrawy. "Eu fiquei muito, muito emocionado". Na terça-feira, Bahrawy pediu demissão de seu cargo no partido no poder e, pela primeira vez, foi para a praça Tahrir participar dos protestos. Para os manifestantes, a publicidade foi um alívio.

Alguns deles falaram com pesar sobre um erro tático do início de sua revolta: o fracasso em conter o papel influente da televisão estatal, que descreveu seu movimento como estranho e violento. A cobertura do canal estatal sobre os protestos ajudou o governo do presidente Hosni Mubarak a recuperar o seu equilíbrio.

No final da entrevista de Shazly com Ghonim, ele respirou fundo durante alguns segundos e tentou tirar o máximo proveito da plataforma que ela lhe ofereceu. "Eu quero dizer a toda mãe e todo pai que perdeu um filho, que eu sinto muito, mas isso não é nossa culpa", disse.

*Por Kareem Fahim e Mona El Naggar

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