Egito acusa Hezbollah de planejar ataques em Sinai e contrabandear armas em Gaza

CAIRO - O Egito divulgou na segunda-feira novos detalhes sobre o que disse ser um plano do Hezbollah para contrabandear armas para a Faixa de Gaza, atacar pontos turísticos na península do Sinai e disparar contra navios no Canal de Suez. As autoridades disseram que a polícia procura por 10 suspeitos libaneses que se esconderam na região montanhosa do Sinai central.

The New York Times |

O caso recebeu ampla atenção depois que o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, reconheceu na sexta-feira que havia enviado um agente ao Egito para organizar ajuda aos palestinos em seu conflito com Israel e rapidamente obteve implicações regionais.

O Hezbollah é uma organização militar, política e social libanesa com fortes elos com o o Irã, um bloco no Parlamento do Líbano e ministros no gabinete do país.

O caso complicou as tentativas de reconciliar as diferenças entre Estados árabes sobre como lidar com a ascensão do Irã como influência regional e o problema palestino. Além disso, ressaltou a crescente ansiedade entre alguns líderes da região, especialmente os tradicionais aliados de Washington, Egito, Jordânia e Arábia Saudita, sobre a postura ocidental em tentar negociar com o Irã e o Hezbollah.

"Eu acho que a liderança egípcia quer relembrar o público e seus outros parceiros que há algo grave em andamento aqui", disse Gamal Abdel Gawad, líder de relações internacionais da organização governamental Centro de Estudos Políticos e Estratégicos Ahram, no Cairo. "Não se trata apenas de uma guerra de palavras. Houve uma tentativa de desestabilizar o Egito".

Quando o Egito anunciou no final da semana passada que havia descoberto uma célula do Hezbollah, a notícia foi recebida com incredulidade na região. Em dezembro, o líder da organização pediu que os egípcios se levantassem contra o governo de seu país por não fazer nada para ajudar o Hamas a combater Israel em Gaza. Então, o anúncio egípcio foi recebido amplamente como uma revanche.

"Estas acusações parecem fabricadas do começo ao fim", disse um editorial do jornal palestino "Al Quds al Arabi".

Um dia depois, Nasrallah confirmou que as autoridades egípcias haviam prendido um membro do Hezbollah, um homem que chamou de Sami Shihab. Ele negou que haja qualquer plano para ataques em solo egípcio, mas não rejeitou as acusações feitas pelo país.

A imprensa local partiu para o ataque, rotulando Nasrallah de "criminoso de guerra" e "macaco" ao pedir sua prisão e julgamento. Nasrallah acusou as autoridades egípcias de ser um agente de Israel e dos Estados Unidos. "Se ajudar os palestinos é um crime, então eu sou culpado e tenho orgulho disso", declarou.


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