Egípcios tentam remover lembranças de Mubarak do país

Ação judicial busca forçar governo a apagar nome de ex-presidente de todas as instituições públicas do Egito

The New York Times |

Em meio à miríade de ações judiciais de interesse público contra o governo deposto do egípcio Hosni Mubarak, cujo volume está começando a rivalizar com o fluxo do rio Nilo, Samir Sabry contribuiu com uma nova reclamação.

Sabry, conhecido principalmente como o elegante advogado de dançarinas do ventre e magnatas infames, entrou com uma ação judicial para forçar o governo a apagar o nome de Mubarak de todas as instituições públicas do Egito.

The New York Times
Estação de metrô leva o nome do ex-líder, que esteve à frente do poder no Egito por quase 30 anos
"Os egípcios adotaram esse hábito ao longo dos séculos – desde o tempo dos faraós, quando a imagem do faraó estava em toda parte", disse Sabry, imitando uma dança faraônica com as mãos e a cabeça. "Os corruptos não devem ser honrados. Eu não quero apagar 30 anos de história egípcia, mas gostaria de remover esse nome dela”.

O nome e rosto de Mubarak têm sido apagados desde que ele renunicou ao poder no dia 11 de fevereiro, após três décadas como presidente. A ação judicial aberta por Sabry na Corte de de Justiça do Cairo em 1º de março, busca uma ordem judicial que ordene a "desMubaraquização" em uma ação conjunta.

Aprovação

A ideia atrai aprovação generalizada, mas não universal. Uma breve audiência judicial sobre o assunto na quinta-feira gerou conflito diante do tribunal, no centro do Cairo, entre aqueles que procuram preservar o nome de Mubarak e aqueles que querem apagá-lo da memória egípcia.

Catalogar todo a utilização pública do nome Mubarak exigiria um esforço não muito diferente daquele que foi necessário para construir as pirâmides. O nome foi rebocado na porta de escolas, bibliotecas, hospitais, clínicas, pontes, estradas, praças, aeroportos, estádios, prédios de ministérios, complexos industriais, residências, centros de aferição e vários prêmios nacionais. Tudo leva o nome dele.

Nilo é uma das alternativas populares e neutras para o sobrenome Mubarak. O Ministério da Cultura, por exemplo, anunciou que o prêmio Mubarak para Ciências Sociais, Artes e Literatura será rebatizado de o Prêmio Nilo.

Passageiros do metrô da cidade que se opõem ao nome de Mubarak têm riscado as muitas placas que carregam o nome dentro dos vagões, e brincado de gato e rato com os trabalhadores da Estação Mubarak, que fica sob a Praça Ramsés, a principal estação central do Cairo. Cada vez que eles colam um nome alternativo sobre as placas que dizem Mubarak – como Mártires do 25 de Janeiro –, funcionários do metrô têm de recuperá-las.

Alguns egípcios condenam a atenção dada para a questão, chamando-a de superficial, diante dos problemas muito mais graves que o país enfrenta. Sheriff Hafez, professor de ciência política, por exemplo, argumentou que a remoção do nome é consideravelmente menos importante do que a tarefa mais profunda de mudar a mentalidade que permitiu que um homem dominasse o país por quase 30 anos.

The New York Times
Estátua com rosto de Hosni Mubarak no Cairo foi vandalizada
*Por Neil Macfarquhar

    Leia tudo sobre: egitohosni mubarakoposiçãomanifestações

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG