Egípcios esperam mais ações do que palavras da visita de Obama

CAIRO - A cidade foi pintada e pavimentada, limpa e enfeitada. Em cada café e cada esquina o assunto é o discurso de quinta-feira do presidente Barack Obama aos muçulmanos. Mas todo o lustre e a ansiedade acabarão quando o Força Aérea Um decolar se nada mudar no conflito entre Israel e Palestina, dizem as pessoas locais.

The New York Times |

O consenso é raro neste mundo muçulmano culturalmente diverso e politicamente dividido, mas neste assunto há unanimidade, de acordo com os diplomatas, analistas políticos, oficiais governamentais e cidadãos de toda a região.

"Todos os presidente americanos dizem que irão resolver o problema", disse Ahmed Fayek, 22, estudante da Universidade do Cairo. "Esperamos que ele realmente o faça".

Depois de tantos anos de agressão e difamação da Casa Branca de Bush, muitos árabes aclamam a visita de Obama como um momento histórico e uma oportunidade.

"Eu vejo este discurso como Nixon indo à China ou Sadat indo à Jerusalém", disse Abdel Moneim Said, diretor do principal centro de pesquisas do Egito, o Centro de Estudos Políticos e Estratégicos Ahram. "Nós esquecemos como há apenas um ano os novos conservadores enfrentavam problemas em todo o mundo por causa do choque de civilizações".

A visita de Obama também adota um tom quase espiritual aqui. Ela inspirou uma notável limpeza na cidade enquanto gerou o ressurgimento do orgulho do papel histórico (ainda que desbotado) do Egito como o mais importante centro árabe.

"As pessoas realmente querem gostar dele", disse Nabil Fahmy, ex-embaixador dos Estados Unidos e agora reitor da Universidade Americana no Cairo. "Ele representa mudança. Ele representa para elas o que há de melhor na América e alguém que é comprometido com a diplomacia".

Para Obama conseguir ajuda, no entanto, ele precisa lidar com os desafios enfrentados pelo mundo árabe, da pobreza à educação inadequada e os direitos humanos. Ele também parece perceber a necessidade de lidar com questões de democracia e direitos humanos sem parecer que critica ou questiona os autoritários líderes da região, de cuja ajuda precisará.

"Ele terá que lidar com estas questões cuidadosamente para que não seja visto como outra pessoa de fora que chega para dar lições", disse Ali El-Garouche, líder da administração da Liga Árabe.


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